A primeira semana de 2026 começou com tudo. O mundo à beira de uma terceira guerra mundial, e eu aqui, escrevendo sobre os melhores filmes que vi em 2025.
Escolher algumas obras de arte em meio a tantas outras já é cruel. Ranqueá-las, então, como se fossem atletas em ascensão, é ainda mais difícil.
Mas a verdade é simples: vocês gostam. E listas como essa ajudam quem ainda não viu alguns desses filmes, além de abrir espaço para o debate sobre os que ficaram dentro da lista e de fora.
Dito isso, vamos à lista dos 11 melhores filmes de 2025, segundo este seu amigo que ficou um tempo longe de escrever sobre cinema. E sim: vou começar de trás para frente.
Uma aula de jornalismo. Seymour Hersh investigou crimes de guerra cometidos por seu próprio país (adivinha qual?), expondo violações que ecoam até hoje na lógica do imperialismo estadunidense que apavora o mundo.
No documentário, acompanhamos um jornalista premiado revisitando suas investigações sobre o massacre de My Lai, na Guerra do Vietnã, e os abusos em Abu Ghraib, presídio no Iraque.
Filme essencial para entender como os EUA fazem de tudo para manter sua hegemonia.
Direção: Laura Poitras (vencedora do Oscar por Citizenfour) e Mark Obenhaus
Man-soo é demitido de uma importante empresa de papel onde trabalhou por mais de 20 anos. Desesperado para retomar o controle da própria vida e sustentar a família, ele passa a “eliminar” seus concorrentes em uma vaga de emprego em outra gigante do setor.
Eliminar, aqui, é literal. O filme aborda de forma cruel o capitalismo tardio e mostra como a integridade humana pode ser esfacelada pela lógica corporativa alienante do trabalho.
Direção: Park Chan-wook (Oldboy)
Assista ao trailer:
Dezessete crianças somem inexplicavelmente após saírem correndo de suas casas de maneira estranha e perturbadora. Famílias e uma professora tentam entender o que aconteceu, a partir do ponto de vista de seis personagens.
O filme critica as relações familiares, o ambiente escolar e a cultura que alimenta massacres e brutalidades em escolas nos Estados Unidos.
Direção: Zach Cregger (Noites Brutais)
Uma distopia brasileira. Um road movie sobre a água. Uma reflexão brilhante sobre etarismo.
O Último Azul traz Denise Weinberg em uma performance poderosa, fazendo o espectador refletir sobre a terceira idade, o desejo de continuar viva e o autoritarismo que trata idosos como problema social, quando, na verdade, são fonte de conhecimento em tempos de destruição.
Se ficou interessado, clique AQUI e leia a resenha completa. Eu já publiquei um texto falando sobre o filme.
Difícil de assistir. Necessário de ver.
O documentário retrata uma briga entre duas vizinhas que termina em tragédia. Na Flórida, em 2023, uma mãe negra de quatro filhos é morta por uma vizinha que não tolerava as crianças brincando perto de sua casa.
Com imagens de câmeras corporais da polícia, áudios e câmeras de segurança, o filme constrói uma montagem devastadora sobre racismo, intolerância e o adoecimento da nossa humanidade.
Direção: Geeta Gandbhi
No início do século XX, conhecemos Robert (Joel Edgerton), um lenhador do oeste dos Estados Unidos. Entre amizade, amor familiar e o trabalho exaustivo, uma tragédia muda completamente sua trajetória.
Uma obra lindíssima, marcada por paisagens exuberantes e pela fotografia espetacular do brasileiro Adolpho Veloso.
Direção: Clint Bentley (Sing Sing)
Baseado na obra de Walter Hugo Mãe, o filme é uma fábula emocionante sobre pertencimento e afeto.
Crisóstomo deseja ser pai, e a chegada de Camilo, um menino órfão, transforma a vida de todos ao redor.
Um filme sobre solidão, amor e a certeza de que famílias podem se formar de muitas maneiras, cores e histórias.
Direção: Daniel Rezende (Turma da Mônica – Laços)
Talvez a cena mais empolgante de 2025 esteja aqui.
Samuel, um jovem músico, toca sua canção em um antigo armazém comprado pelos irmãos Fumaça e Fuligem para virar um clube de blues.
A música ecoa pelo Delta do Mississippi, atraindo mitos, espíritos e entidades negras, mas também forças vampíricas que tentam consumir essa expressão cultural.
A invasão desses vampiros, retratados como brancos, funciona como metáfora direta da apropriação histórica da cultura negra.
Direção: Ryan Coogler (Pantera Negra)
Paul Thomas Anderson retorna com um filme sem esperança e extremamente necessário.
A obra acompanha revolucionários que vencem batalhas, mas seguem presos ao ciclo interminável da desigualdade.
Os exageros do filme se tornam assustadoramente críveis diante da realidade política dos Estados Unidos. Um cinema que acerta nos excessos e acerta ainda mais como arte.
Direção: Paul Thomas Anderson (Magnólia, Sangue Negro)
Após a morte da mãe, duas irmãs enfrentam o retorno do pai, um cineasta ausente que tenta se reconectar por meio da arte.
Uma obra metalinguística, delicada e devastadora sobre trauma, afeto e a dificuldade de reconhecer o valor do sentimento. Pode, facilmente, roubar o Oscar do primeiro colocado desta lista.
Direção: Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo)
Marcelo (Wagner Moura) é um professor universitário que foge para Recife em 1977, durante a ditadura militar brasileira. Perseguido politicamente, tenta encontrar o filho e documentos da mãe falecida.
O filme constrói um inimigo invisível, uma força sem rosto, que funciona como metáfora do terror institucional da época. Com referências a De Palma, Scorsese e Carpenter, Kleber Mendonça Filho cria uma obra sobre memória, repressão e os muitos Brasis silenciados.
Direção: Kleber Mendonça Filho (Bacurau, Aquarius)