O Oscar sempre teve seu charme distante para o brasileiro. Era algo que se assistia mais por curiosidade do que por torcida. Isso mudou.
Nos últimos anos, o prêmio virou uma espécie de Copa do Mundo, também impulsionado pelas frustrações recentes da seleção brasileira masculina de futebol.
Muito disso passa pela campanha bem articulada da Neon, produtora do filme de Kléber Mendonça Filho, O Agente Secreto.
No ano passado, o cinema brasileiro entrou de vez nessa arquibancada. A vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro acendeu a chama e a campanha culminou no primeiro Oscar do país na categoria de Filme Internacional.
A dobradinha agora volta a rondar o imaginário do público.
O Carnaval captou esse espírito. Fantasias surgiram nas ruas com foliões carregando orelhões e incorporando dona Sebastiana. Um detalhe curioso que diz muito sobre o momento.
O cinema nacional, enfim, passou a ocupar um espaço mais orgânico na cultura popular brasileira. Já não era sem tempo.
O filme chegou à temporada cercado de respeito crítico. Não exatamente como favorito absoluto nas categorias principais, mas com algo que às vezes pesa mais do que estatísticas: prestígio artístico.
Nas previsões da temporada, o filme costuma aparecer como azarão elegante. Aquele candidato que talvez não leve tudo, mas que ninguém ignora.
O Agente Secreto chega à cerimônia com quatro indicações ao Oscar e aparece com boas possibilidades em três delas, especialmente em Filme Internacional, ator e casting.
Ainda assim, convém ao espectador brasileiro segurar um pouco a empolgação.
Em Filme Internacional, por exemplo, muitos analistas apontam Valor Sentimental como o concorrente que corre por fora, mas com status de favorito em várias previsões da temporada.
O filme brasileiro está no jogo, é respeitado na corrida, mas o Oscar costuma guardar surpresas .
Muitos analistas colocam o filme como um dos nomes fortes da temporada. Ele aparece em várias listas para:
Produção grande, campanha forte e presença constante nas premiações pré-Oscar.
Frequentemente citado como um dos concorrentes mais fortes nas categorias principais. Quando um filme de diretor consagrado chega forte na temporada, a Academia costuma prestar atenção.
Paul Thomas Anderson carrega uma filmografia invejável (Magnólia, Sangue Negro e Trama Fantasma, entre outros) e, além disso, seu novo filme praticamente varreu as principais premiações da indústria ao longo da temporada. Esse costuma ser o tipo de combinação que chega ao Oscar com bastante força.
Drama de época, fotografia elegante e atuação muito comentada.
Filmes desse tipo costumam aparecer em categorias como:
A situação do filme brasileiro pode ser resumida assim:
O Oscar virou torcida e há algo curioso acontecendo. Durante décadas, o brasileiro assistia à cerimônia quase como quem observa uma festa distante. Hoje, a reação lembra muito o clima de Copa do Mundo.
Bares no Recife já preveem superlotação para acompanhar a transmissão. Amigos se organizam para assistir juntos e a noite promete virar uma pequena celebração coletiva de um Brasil que se projeta para o mundo pelo cinema. Tem meme, tem debate nas redes sociais e tem torcida organizada.
A transmissão no Brasil costuma ocorrer da seguinte forma:
TV aberta: Globo
TV por assinatura: TNT
Streaming / aplicativo: Max (streaming da Warner)
Horário aproximado:
.Tapete vermelho por volta das 20h
.Cerimônia começa às 21h (horário de Brasília).
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