Urnas empurram o Brasil à direita e acendem alerta para Lula

PL avança no Congresso e amplia seu peso no Senado e na Câmara.

Por: Eduardo Moura | coluna Em Conexão
05/10/2026 às 09h10 Atualizada em 05/10/2026 às 10h45

Mesmo antes do segundo turno, as urnas redesenharam o poder político no país e mostraram que o desafio de Lula vai muito além de derrotar Flávio Bolsonaro

O Brasil ainda não escolheu o próximo presidente, mas uma parte importante desta eleição já terminou. Nela a direita saiu maior.

Não é apenas porque Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula. Olhar somente para os dois candidatos seria perder o movimento mais profundo revelado pelas urnas.

A direita cresceu no Congresso, conquistou maioria no Senado e colocou o PL no centro do poder político brasileiro.

 

Além do Planalto

Lula recebeu mais de 53 milhões de votos. É muita coisa. Continua vivo na disputa e pode perfeitamente vencer o segundo turno. O problema para o presidente está no que aconteceu ao redor dessa votação.

Na Câmara, o PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada. No Senado, chegará a 28 cadeiras. Pelos cálculos, a oposição alinhada ao bolsonarismo terá 45 dos 81 senadores.

Isso muda bastante coisa. Muda a relação de qualquer governo com o Congresso. Muda a disputa pelas presidências das duas Casas.

Muda a composição das comissões e aumenta a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, alvo permanente de uma parcela importante da direita nos últimos anos.

O alerta para Lula

Há também um problema particular para Lula.

O presidente chegou ao primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, abaixo dos 48,43% que havia conseguido em 2022. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03%.

Mais importante do que comparar simplesmente uma eleição com outra é perceber que o campo político de Lula não conseguiu conter o avanço do adversário.

A eleição mostrou que o bolsonarismo sobreviveu à ausência de Jair Bolsonaro na urna. Encontrou outro nome para a disputa presidencial e, ao mesmo tempo, conseguiu ampliar sua presença no Legislativo.

Esse talvez seja o dado político mais importante do domingo.

Poder dividido

O segundo turno agora decidirá quem ocupará o Palácio do Planalto. Mas não decidirá sozinho quem terá poder no Brasil a partir de 2027.

Se Flávio Bolsonaro vencer, encontrará um Congresso bastante favorável ao seu campo político.

Se Lula vencer, terá pela frente um ambiente muito diferente daquele que encontrou no início do atual mandato. Governará diante de uma oposição numerosa, fortalecida pelas urnas e com capacidade maior de impor sua agenda.

Por isso, reduzir o resultado do primeiro turno à diferença entre Lula e Flávio seria olhar apenas para a fotografia. O filme é maior.

A Presidência continua em disputa. O avanço da direita, não.

 

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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