Milei chama ONU de “inútil” e mira o Brasil

Presidente argentino reforça a reivindicação pelas Malvinas e ataca o rumo político brasileiro.

Por: Redação
23/09/2026 às 13h57 Atualizada em 23/09/2026 às 14h14

Quem vive na Argentina sabe que Javier Milei dificilmente passa despercebido. Nesta quarta-feira (23), não foi diferente.

Diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente argentino voltou a fazer o que costuma fazer dentro e fora do país. Criticou o sistema, atacou a burocracia e tentou colocar a Argentina no centro da conversa.

Desta vez, porém, houve um tema que falou mais alto. As Malvinas. Milei classificou a disputa pelas ilhas como uma “causa nacional” e voltou a cobrar do Reino Unido a retomada das negociações sobre a soberania do arquipélago.

O assunto ganhou ainda mais peso depois de novos atritos entre Buenos Aires e Londres nos últimos dias.

É um tema capaz de atravessar quase todas as diferenças políticas por aqui. Direita ou esquerda, governo ou oposição, a reivindicação argentina sobre as Malvinas permanece presente no debate público.

Milei sabe disso e deu ao assunto um espaço que não havia dado com a mesma intensidade em seus discursos anteriores na ONU.

Só que houve uma contradição difícil de ignorar. Milei subiu justamente à tribuna das Nações Unidas para dizer que a própria ONU se tornou uma “organização inútil”.

Acusou o organismo de não cumprir seu papel e afirmou que a Argentina não ficará simplesmente esperando uma solução internacional para a questão das ilhas.

Não foi o único recado. O argentino voltou a mostrar sintonia política com os Estados Unidos e Israel e também entrou em outro debate do momento.

Defendeu menos restrições ao desenvolvimento da inteligência artificial, em sentido oposto ao discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, que pediu regras internacionais e supervisão para reduzir os riscos da tecnologia.

Visto daqui de Buenos Aires, o discurso ajuda a entender um pouco do Milei de 2026.

O presidente que chegou ao poder prometendo romper com praticamente tudo continua usando o confronto como linguagem política. Ao mesmo tempo, quando fala das Malvinas, abraça uma das pautas mais antigas e tradicionais da política argentina.

Talvez esteja aí uma das imagens mais curiosas desta passagem por Nova York. Milei critica a ONU, mas precisa da ONU. Questiona o multilateralismo, mas usa sua maior vitrine. Ataca velhas estruturas, mas recorre a uma reivindicação que atravessa gerações na Argentina.

Na política, até quem promete romper com o passado descobre que alguns assuntos simplesmente não ficam para trás.

Brasil na mira

O Brasil também entrou no discurso político de Milei. O presidente argentino disse esperar que o país rompa com o que chamou de “curso socialista decadente” e volte a “abraçar as ideias da liberdade”.

A fala foi uma crítica direta ao governo Lula e veio acompanhada de mais um sinal de apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026. Milei já havia participado, em julho, da convenção do PL que oficializou a candidatura do senador.

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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