O período de Natal vai chegando e, todo ano, um sentimento conhecido começa a apertar o peito.
É sempre igual… mas, ainda assim, diferente. Deixa eu explicar pra vocês.
Em 2017, tomei uma das decisões mais corajosas da minha vida: deixei minha cidade natal. Vim movida por amor e por um grande sonho, daqueles que chamam a gente pelo nome e não deixam a gente ficar parada.
Quis viver algo novo, construir uma história minha, arriscar outras possibilidades.
Mas, apesar da empolgação, o começo não foi simples. Eu tinha deixado para trás uma loja de enxoval de bebê que eu amava profundamente, minhas raízes, minha família, meus amigos e uma carreira de cantora que já tinha seu caminho trilhado.
De repente, cheguei em um lugar onde ninguém sabia quem eu era. Não conheciam minha trajetória, meus talentos, meus esforços. Eu estava recomeçando do zero, e isso é bonito, mas também é duro. Foi como tentar mostrar em três anos tudo o que levei trinta e três para construir.
Mesmo assim, em nenhum momento pensei em voltar. A saudade vinha, mas era passageira, porque eu sentia que estava exatamente onde precisava estar. E sigo sentindo isso até hoje.
Os anos passaram. Agora já são oito anos morando longe e eu continuo amando essa cidade que me acolheu. Aqui construí meu nome, fiz amigos, abri portas, conquistei meu espaço. E, como todo artista, sigo caminhando, sempre querendo ser mais reconhecida, mais vista, mais lembrada.
Mas tem algo que o tempo não resolve completamente: algumas datas mexem com a gente de um jeito diferente.
O Natal, então… parece que toca numa parte da alma que a gente tenta esconder. As redes sociais ajudam a reduzir a distância, mas, ao mesmo tempo, aumentam aquele aperto.
A gente vê os encontros, as mesas cheias, os abraços, a família reunida, os amigos que continuam vivendo a mesma rotina juntos. E aí bate aquela pontinha de inveja boa ,um incômodo discreto, mas presente.
Porque, quando escolhemos morar fora, a gente ganha muito: ganha independência, amadurecimento, novas oportunidades, novos recomeços.
Mas também perde coisas valiosas: os almoços de sábado , os aniversários em família, os cafés de última hora, as confraternizações que só quem cresceu com a gente entende, as risadas que curam, o cheiro da comida da casa dos meus pais , os detalhes simples que fazem a vida valer mais.
Morar fora é uma troca constante. É bonito, é necessário, é libertador… mas também dói um pouco.
E você? O que é que mais sente falta da sua cidade quando mora longe?
Desejo a todos um Feliz Natal!!!
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