Quando o Natal aperta a saudade

Entre conquistas e ausências, morar longe de casa transforma datas especiais em encontros com a própria memória

Por: Ticiana Duailibe | coluna Palco e Vida
23/12/2025 às 06h00 Atualizada em 14/01/2026 às 15h56
Ticiana Duailibe - colunista Lead

O período de Natal vai chegando e, todo ano, um sentimento conhecido começa a apertar o peito.
É sempre igual… mas, ainda assim, diferente. Deixa eu explicar pra vocês.

Em 2017, tomei uma das decisões mais corajosas da minha vida: deixei minha cidade natal. Vim movida por amor e por um grande sonho, daqueles que chamam a gente pelo nome e não deixam a gente ficar parada.

Quis viver algo novo, construir uma história minha, arriscar outras possibilidades.

Mas, apesar da empolgação, o começo não foi simples. Eu tinha deixado para trás uma loja de enxoval de bebê que eu amava profundamente, minhas raízes, minha família, meus amigos e uma carreira de cantora que já tinha seu caminho trilhado.

De repente, cheguei em um lugar onde ninguém sabia quem eu era. Não conheciam minha trajetória, meus talentos, meus esforços. Eu estava recomeçando do zero, e isso é bonito, mas também é duro. Foi como tentar mostrar em três anos tudo o que levei trinta e três para construir.

Mesmo assim, em nenhum momento pensei em voltar. A saudade vinha, mas era passageira, porque eu sentia que estava exatamente onde precisava estar. E sigo sentindo isso até hoje.

O tempo, a cidade e o pertencimento

Os anos passaram. Agora já são oito anos morando longe e eu continuo amando essa cidade que me acolheu. Aqui construí meu nome, fiz amigos, abri portas, conquistei meu espaço. E, como todo artista, sigo caminhando, sempre querendo ser mais reconhecida, mais vista, mais lembrada.

Mas tem algo que o tempo não resolve completamente: algumas datas mexem com a gente de um jeito diferente.

O Natal, então… parece que toca numa parte da alma que a gente tenta esconder. As redes sociais ajudam a reduzir a distância, mas, ao mesmo tempo, aumentam aquele aperto.

A gente vê os encontros, as mesas cheias, os abraços, a família reunida, os amigos que continuam vivendo a mesma rotina juntos. E aí bate aquela pontinha de inveja boa ,um incômodo discreto, mas presente.

O que se ganha e o que fica para trás

Porque, quando escolhemos morar fora, a gente ganha muito: ganha independência, amadurecimento, novas oportunidades, novos recomeços.

Mas também perde coisas valiosas: os almoços de sábado , os aniversários em família, os cafés de última hora, as confraternizações que só quem cresceu com a gente entende, as risadas que curam, o cheiro da comida da casa dos meus pais , os detalhes simples que fazem a vida valer mais.

Morar fora é uma troca constante. É bonito, é necessário, é libertador… mas também dói um pouco.

E você? O que é que mais sente falta da sua cidade quando mora longe?

Desejo a todos um Feliz Natal!!!

 

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Monique Furtado Duailibe Frazão Há 9 meses Rio de Janeiro RJ Lindo, Tici Parece um pouco com minha história...me identifiquei
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Ticiana Duailibe
Ticiana Duailibe
Artista, cantora, bailarina, empreendedora e assessora de comunicação na Câmara dos Deputados. Casada há 10 anos com Amanda e mãe de Laura e Pedro, me defino como “mãe leoa”. Lancei um disco com Roberto Menescal, criei a marca de óculos ABREU e a loja Fábrica Chic. Vivo da arte de comunicar, empreender e transformar o cotidiano em experiências autênticas, criativas e cheias de beleza. Agora que você já conhece um pouco da minha trajetória, te convido a mergulhar comigo no universo desta coluna. Um espaço onde compartilho minha visão de mundo, minha paixão pela arte, pela beleza e pelos detalhes.
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