Uma das coisas que mais gosto na vida é observar as pessoas. Observar suas falas, suas atitudes, suas escolhas. Não digo isso porque me sinto melhor do que ninguém. Muito pelo contrário. Faço isso porque aprendo diariamente sobre quem quero me tornar e, principalmente, sobre aquilo de que quero manter distância.
Observar o outro é, muitas vezes, uma forma de nos enxergarmos também.
Esta semana, em uma conversa despretensiosa no corredor do trabalho, uma amiga disse uma frase que ficou ecoando na minha mente:
“Todo excesso esconde uma falta.”
Naquele momento, parei para refletir. Primeiro, me perguntei: será que existe algum excesso em mim? Depois, comecei a lembrar de algumas pessoas e situações que, aos meus olhos, vivem constantemente nos excessos.
Excesso de exposição. Excesso de fala. Excesso de controle. Excesso de vaidade. Excesso de necessidade de aprovação. Excesso de trabalho. E foi aí que percebi que, muitas vezes, até aquilo que a sociedade aplaude pode esconder uma ausência.
Há quem se afogue no trabalho para não encarar o silêncio. Há quem fale demais para não revelar suas inseguranças. Há quem precise aparecer o tempo todo para sentir que existe. Há quem controle tudo porque teme perder o que ama.
Porque, muitas vezes, o excesso não é sobre aquilo que aparece. É sobre aquilo que falta. Falta de segurança. Falta de reconhecimento. Falta de afeto. Falta de paz. Falta de pertencimento. Ou, simplesmente, falta de conexão consigo mesmo. Talvez os excessos sejam apenas tentativas de preencher vazios que nem sempre temos coragem de admitir que existem.
Desde então, tenho me feito uma pergunta importante: quais excessos existem em mim e o que eles estão tentando esconder?E você? Aquilo que hoje transborda na sua vida é fruto da abundância… ou está tentando preencher alguma falta que ainda não teve coragem de encarar?
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