Recentemente fui a uma palestra da Andréa Vermont, e já começo dizendo: quem não conhece, precisa conhecer.
Andréa é dessas pessoas que unem sensibilidade, inteligência e uma escuta muito profunda da vida real. Fala sobre comportamento, criação e relações com muita verdade sem fórmulas prontas, mas com reflexões que fazem a gente pensar.
De alguns anos pra cá tenho me interessado muito por temas como criação de filhos, traumas, construção de identidade, vida em família… e algo que ela disse me chamou muita atenção.
Ela falou sobre uma geração sem desejo.
Confesso que não gosto de comparações , nem mesmo de comparações entre gerações. Cada tempo tem seus desafios e suas formas de viver. Mas essa frase ficou ecoando em mim.
Como assim, uma geração sem desejo?
Na minha época havia um desejo muito forte de independência. A gente queria sair de casa, conquistar nosso espaço, trabalhar, comprar nosso carro, construir nossa própria história. Havia uma vontade grande de autonomia. Talvez porque nossos pais fossem mais rígidos, talvez porque a vida nos empurrasse mais cedo para isso.
Hoje, muitas vezes, percebo uma geração mais confortável em permanecer. Uma geração que, em muitos casos, não tem tanta pressa de sair debaixo das asas.
E aí fica a pergunta que não sai da minha cabeça: será que nós, pais, nos tornamos permissivos demais?
Na tentativa de proteger, facilitar e evitar frustrações, será que acabamos tirando deles algo fundamental para a vida: o desejo de conquistar?
Deixo aqui uma reflexão inclusive para mim mesma.
Talvez nosso papel não seja abrir todos os caminhos para os nossos filhos… mas ajudá-los a sentir vontade de caminhar.
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