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Célia Regina Silva, 65 anos, professora particular que atendia em contraturno uma criança de sete anos, foi vítima de agressões que envergonham a sociedade. Ao cobrar uma tarefa, recebeu um tapa do aluno e, ao chamar a mãe para tratar do ocorrido, foi atacada por familiares - mãe, padrasto e tia - com chutes, puxões de cabelo e socos, na presença da criança. O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, em Salvasor
Além da indignação e da consternação que provoca, o episódio sinaliza problemas sociais e educacionais mais amplos: em vez de apoiar o trabalho docente e resolver o conflito pelo diálogo, a família optou pela violência e pela humilhação pública.
Subjacente à agressão está a deterioração de limites familiares, a instrumentalização da educação por resultados e uma leitura deturpada da chamada “educação positiva”, transformada por alguns em sinônimo de permissividade. Educação com afeto não é ausência de regras; é a integração de acolhimento, limites e responsabilização.
A violência na educação
Quando pais orientam filhos a filmar aulas para constranger professores, se recusam a dialogar com a escola ou partem para a violência, erguem-se barreiras contra a autoridade pedagógica e contra a própria responsabilidade de formar cidadãos.
O caso de Célia expõe também uma sociedade que privilegia rankings e índices de aprovação em detrimento do estudo/conhecimento do projeto político-pedagógico das escolas e da transmissão de valores sociais fundamentais.
Os números reforçam que não se trata de um problema pontual. Vejamos alguns dados preocupantes:
Os números não são abstratos; representam docentes exauridos, escolas fragilizadas e processos formativos comprometidos, e traduzem o custo humano de um modelo que sobrecarrega profissionais e relativiza o papel da educação como capacidade formadora de sujeitos empáticos e críticos.
Pergunto: onde foi parar o respeito que se vinculava à figura do/da professor/ professora? A desvalorização salarial e simbólica da carreira, as condições de trabalho precárias, a pressão por resultados e a exposição nas redes corroem o prestígio docente.
Quando a preocupação das famílias limita-se a índices de aprovação, perde-se de vista o essencial: a escola existe para formar pessoas capazes de conviver em sociedade, e não apenas para produzir “vencedores” dispostos a passar por cima de normas e limites.
Instituições que priorizam exclusivamente a competição tendem a formar indivíduos que acreditam ser legítimo vencer a qualquer custo, e isso ajuda a explicar, ainda que não a justifique, a naturalização de agressões contra educadores que apenas pedem respeito ao trabalho e ao processo de ensino-aprendizagem.
Proteçao ao educador e ensino
As consequências vão além do ataque físico: o adoecimento docente gera afastamentos que comprometem a continuidade do ensino; crianças que presenciam ou vivenciam esse tipo de violência aprendem que agressão é resposta aceitável a frustrações; e a perda de prestígio da profissão reduz a atratividade da carreira, aprofundando a crise de formação e permanência de profissionais.
Por isso, a resposta precisa ser integrada e eficaz:
Mais do que palavras de revolta, a história de Célia exige ações concretas. Garantir condições de trabalho dignas, acesso a atendimento psicológico, políticas públicas que tratem do burnout docente como prioridade e medidas que responsabilizem pais ou responsáveis que incentivem comportamentos abusivos são passos fundamentais para restaurar a segurança e a autoridade em sala de aula.
Assim, a escola poderá cumprir seu papel social: formar indivíduos capazes de dialogar, de discordar com respeito e de construir um futuro em que educar não seja motivo de medo, mas de reconhecimento e esperança.
Fontes:
“Depressão e burnout são as principais causas de afastamento de professores no Brasil” — Você S/A / Abril (cita levantamento da CNTE): https://vocesa.abril.com.br/carreira/depressao-e-burnout-sao-as-principais-causas-de-afastamento-de-professores-no-brasil/
“Docentes da educação básica sofrem com problemas de saúde mental” — AGEMT / PUC-SP: https://agemt.pucsp.br/noticias/docentes-da-educacao-basica-sofrem-com-problemas-de-saude-mental
Informação sobre registro do caso na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, conforme relato fornecido.
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*A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].