Emergência de um problema social: o espancamento de uma professora

coluna | Sala de Aula

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
18/09/2025 às 06h00 Atualizada em 22/09/2025 às 12h38

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imagem ilustrativa

Célia Regina Silva, 65 anos, professora particular que atendia em contraturno uma criança de sete anos, foi vítima de agressões que envergonham a sociedade. Ao cobrar uma tarefa, recebeu um tapa do aluno e, ao chamar a mãe para tratar do ocorrido, foi atacada por familiares - mãe,  padrasto e tia - com chutes, puxões de cabelo e socos, na presença da criança. O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, em Salvasor

Além da indignação e da consternação que provoca, o episódio sinaliza problemas sociais e educacionais mais amplos: em vez de apoiar o trabalho docente e resolver o conflito pelo diálogo, a família optou pela violência e pela humilhação pública.

Subjacente à agressão está a deterioração de limites familiares, a instrumentalização da educação por resultados e uma leitura deturpada da chamada “educação positiva”, transformada por alguns em sinônimo de permissividade. Educação com afeto não é ausência de regras; é a integração de acolhimento, limites e responsabilização.

A violência na educação

Quando pais orientam filhos a filmar aulas para constranger professores, se recusam a dialogar com a escola ou partem para a violência, erguem-se barreiras contra a autoridade pedagógica e contra a própria responsabilidade de formar cidadãos.

O caso de Célia expõe também uma sociedade que privilegia rankings e índices de aprovação em detrimento do estudo/conhecimento do projeto político-pedagógico das escolas e da transmissão de valores sociais fundamentais.

Os números reforçam que não se trata de um problema pontual. Vejamos alguns dados preocupantes:

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Os números não são abstratos; representam docentes exauridos, escolas fragilizadas e processos formativos comprometidos, e traduzem o custo humano de um modelo que sobrecarrega profissionais e relativiza o papel da educação como capacidade formadora de sujeitos empáticos e críticos.

Pergunto: onde foi parar o respeito que se vinculava à figura do/da professor/ professora? A desvalorização salarial e simbólica da carreira, as condições de trabalho precárias, a pressão por resultados e a exposição nas redes corroem o prestígio docente.

Quando a preocupação das famílias limita-se a índices de aprovação, perde-se de vista o essencial: a escola existe para formar pessoas capazes de conviver em sociedade, e não apenas para produzir “vencedores” dispostos a passar por cima de normas e limites.

Instituições que priorizam exclusivamente a competição tendem a formar indivíduos que acreditam ser legítimo vencer a qualquer custo, e isso ajuda a explicar, ainda que não a justifique, a naturalização de agressões contra educadores que apenas pedem respeito ao trabalho e ao processo de ensino-aprendizagem.

Proteçao ao educador e ensino 

As consequências vão além do ataque físico: o adoecimento docente gera afastamentos que comprometem a continuidade do ensino; crianças que presenciam ou vivenciam esse tipo de violência aprendem que agressão é resposta aceitável a frustrações; e a perda de prestígio da profissão reduz a atratividade da carreira, aprofundando a crise de formação e permanência de profissionais.

Por isso, a resposta precisa ser integrada e eficaz: 

informativo

Mais do que palavras de revolta, a história de Célia exige ações concretas. Garantir condições de trabalho dignas, acesso a atendimento psicológico, políticas públicas que tratem do burnout docente como prioridade e medidas que responsabilizem pais ou responsáveis que incentivem comportamentos abusivos são passos fundamentais para restaurar a segurança e a autoridade em sala de aula.

Assim, a escola poderá cumprir seu papel social: formar indivíduos capazes de dialogar, de discordar com respeito e de construir um futuro em que educar não seja motivo de medo, mas de reconhecimento e esperança.

Fontes:

“Depressão e burnout são as principais causas de afastamento de professores no Brasil” — Você S/A / Abril (cita levantamento da CNTE): https://vocesa.abril.com.br/carreira/depressao-e-burnout-sao-as-principais-causas-de-afastamento-de-professores-no-brasil/

“Docentes da educação básica sofrem com problemas de saúde mental” — AGEMT / PUC-SP: https://agemt.pucsp.br/noticias/docentes-da-educacao-basica-sofrem-com-problemas-de-saude-mental

Informação sobre registro do caso na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, conforme relato fornecido.

 

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*A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

 

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Oliveira Há 11 meses Samambaia-DFO Estado não pode ser espectador quando professores estão sob ataque.
Professora Renata AlbulquHá 11 meses Olinda -PEAcorda Brasil! Educação exige proteção, não agressão aos educadores
Camila RibeiroHá 11 meses Novo Hamburgo-RSDesrespeito ao professor é sinal de que o tecido social está rasgado.
Tatiana Há 11 meses Taguatinga Brasiliamais respeito na escola, mais justiça na sociedade. Não podemos normalizar agressões
Rafael Há 11 meses BHQue esse episódio seja catalisador para reformas reais: segurança, suporte psicológico, respeito escolar.
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Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
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