
A coluna Sala de Aula desta edição nasce da experiência de organizar a Jornada Pedagógica em uma instituição de ensino superior. E foi justamente nesse movimento, entre planejamentos, escutas e decisões, que ficou ainda mais evidente que o pedagogo atua muito além da sala de aula.
Muitas vezes ainda reduzimos o pedagogo à figura que cuida da sala de aula com crianças, e isso é fundamental, mas é apenas uma parte. Na essência, esse profissional é formado para pensar estratégias, ações e análises, ou seja, é formado para olhar o todo.
No ensino superior, o coordenador pedagógico assume um papel que exige visão estratégica e, ao mesmo tempo, pés no chão. É preciso desenhar possibilidades de formação, alinhar as práticas docentes ao Projeto Pedagógico do Curso, às diretrizes da instituição e, principalmente, aos valores que sustentam aquele lugar.
E aqui entra um desafio que não está nos manuais: o alinhamento entre valores pessoais, valores institucionais e valores inegociáveis.
Importante acrescentar uma perspectiva: Quem sou eu para "formar" professores de altíssimo gabarito? Eu também sou mais uma professora. Na verdade, o que fazemos é coordenar estratégias de um processo de formação.
É criar espaços para que os pares aprendam, troquem e se desenvolvam, e cuidar para que esse processo converse com o que a instituição acredita e com aquilo que não abrimos mão como educadores.
Ser gestor da aprendizagem de pares que têm muito conhecimento e expertises diversas exige outra postura. Exige humildade para escutar, carisma para mobilizar e, sobretudo, inteligência emocional para administrar vaidades e compreender que não haverá unanimidade.
Afinal, nem toda decisão vai agradar a todos e nem toda ideia será aceita de primeira, e liderar é justamente fazer a costura nesse meio.

A esse desafio, soma-se outro que também faz parte do dia a dia: as expectativas da alta gestão. É preciso dar conta de resultados, responder a cobranças, mostrar dados, impacto e adesão. Mas, ao mesmo tempo, é um privilégio estar num lugar onde a liderança confia, encoraja e anda junto, porque quando isso acontece a cobrança deixa de ser peso e passa a ser corresponsabilidade.
E vou ser sincera, juntar tudo isso não é fácil. Eu continuo tentando e aprendendo todo dia. Outro aprendizado importante que a Jornada me trouxe é que trabalho de grande importância não se faz sozinho.
O reconhecimento da equipe é tudo, nada se conquista sozinho, pois tem um grupo imenso por trás de cada decisão, de cada formação e de cada avanço. Ter os melhores juntos faz a diferença.
No fim, pensar a formação continuada em nível estratégico é também pensar cultura. É perguntar que professores queremos formar e que instituição estamos construindo juntos. E você, como tem pensado a formação na sua instituição a partir dos valores que defende?
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