A força da educação: memórias e legados de mulheres fortes

coluna | Sala de Aula

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
02/09/2025 às 06h00 Atualizada em 07/09/2025 às 17h04

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 “Quando se nasce pobre, ser estudioso é o maior ato de rebeldia contra o sistema.”

Essa frase, atribuída a Armandinho, um dos personagens da célebre tirinha de Alexandre Beck, ressoa fortemente, trazendo à tona as realidades enfrentadas por muitos em nossa sociedade. Mesmo não vindo de origens desfavoráveis no sentido material, meu percurso acadêmico é profundamente marcado por memórias e legados que moldaram minha trajetória. Ele me convida a uma reflexão contínua sobre a importância do estudo, a luta das mulheres de minha família e a imensa responsabilidade que sinto ao receber o título de doutora.

Refletindo sobre minha ascendência feminina, reconheço a força inegável de mulheres que pavimentaram o caminho para que eu chegasse até aqui. A figura da minha avó materna, que conheci pouco, mas cuja força e determinação ecoam nas memórias de todas as mulheres da família ‘Gadelha’, é um testemunho da resiliência feminina, moldando o caráter e a força irrefreável de minha mãe.

Hoje, no grupo familiar virtual, uma mensagem carinhosa de uma prima materna me parabenizou e relembrou a todos a trajetória de sucesso que se constrói, geração após geração. Suas palavras não apenas ecoaram orgulho, mas acenderam uma esperança renovada para as futuras gerações de mulheres em nossa família. A determinação e a garra de cada uma delas inspiram e fortalecem nossa identidade coletiva. A escolha de investigar a realidade do ensino no Acre, em minha pesquisa, reflete não apenas meu desejo de contribuir para a sociedade, mas também a determinação em ligar as histórias da origem da minha família materna.

É igualmente fundamental mencionar minha avó paterna, da família ‘Menezes’, uma verdadeira leoa cuja força indomável moldou não apenas nossa família, mas profundamente a mulher que me tornei. Ela encarna o verdadeiro significado da maternidade, um pilar de amorosidade e persistência, profundamente enraizado no imaginário social.

Embora meu registro não ostente os sobrenomes ‘Gadelha’ ou ‘Menezes’, identifico-me inegavelmente com a força e o legado que esses nomes representam. Essa herança, entrelaçada na complexidade de minha identidade, carrega em si as vozes e as histórias de cada mulher corajosa que veio antes de mim.

Desde os meus primeiros passos na educação, tive a sorte de contar com oportunidades singulares. Estudei em instituição de renome em Brasília, graças ao esforço de minha avó paterna, que buscou por bolsa de estudo durante meu percurso no ensino fundamental. Essa busca não apenas concedeu acesso a um ensino diferenciado, mas também cultivou em mim um senso de gratidão e compromisso com aqueles que, como muitos em minha família materna, não tiveram as mesmas oportunidades.

Ao receber o diploma de doutora pela Universidade de Brasília (UnB), uma corrente de emoções tomou conta de mim. Essa conquista representa mais do que um título; é um simbolismo profundo do poder do conhecimento na transformação de realidades.

Francis Bacon, famoso filósofo e estadista, afirmava que “o conhecimento é poder”, e essa frase se materializa de forma intensa em minha trajetória. O saber não é apenas uma ferramenta de ascensão pessoal, mas um imperativo ético, uma social, um compromisso de retribuir à sociedade e contribuir para a construção de um futuro melhor.

Celebrar a conquista do doutorado, portanto, é também celebrar a resistência e os desafios enfrentados por nossas antepassadas. Embora este texto não pretenda minimizar a importância dos homens em nossas vidas, ele dedica um espaço especial à garra e à superação das mulheres. É fundamental que continuemos a incentivar a educação, não só como um caminho individual para o sucesso, mas como um alicerce para transformações profundas em nossas famílias e comunidades.

 O título de doutora que hoje possuo é, antes de tudo, uma representação do orgulho que sinto em pertencer a essa linhagem de mulheres fortes. Com cada conquista, reafirmo que os desafios são superáveis e que, por meio da educação, podemos não apenas mudar nossas histórias, mas redefinir o futuro de muitos ao nosso redor. Novos desafios se avizinham, e estou pronta para enfrentá-los. Essa trajetória é celebrada, não apenas por mim, mas por todas as mulheres que vieram antes e pelas que ainda virão. Sendo assim, que continuemos a lutar e a educar, pois o saber sempre será um ato de rebeldia – e a rebeldia é, sem dúvida, uma forma de transformar o mundo em que vivemos.

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*A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

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Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
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