
Sempre organizei minha vida pensando nos próximos cinco anos. Não porque seja possível prever tudo o que vai acontecer, mas porque acredito que ter uma direção ajuda a escolher melhor os caminhos, as ferramentas e as experiências necessárias para chegar a algum lugar.
Quando conseguimos imaginar, ainda que de maneira provisória, onde queremos estar no futuro, passamos a fazer perguntas mais objetivas no presente.
Se, daqui a cinco anos, você se imagina administrando uma empresa, por exemplo, quais conhecimentos precisará desenvolver? Quais cursos deverá fazer? Que formações ou certificações podem contribuir para esse objetivo? Que pessoas precisará conhecer? Que relações deverá construir? Pensar no futuro não significa transformar a vida em uma corrida.
Também não se trata de competir com os outros ou de estabelecer uma escala para medir quem pode mais. Cada pessoa tem seus próprios desejos, limites, referências e prioridades.
Há quem esteja satisfeito com o lugar que alcançou. “Cheguei até aqui e estou bem”, alguém pode dizer. E tudo bem. Permanecer onde se está também pode ser uma escolha legítima, desde que seja consciente.
A questão, portanto, não é obrigatoriamente mudar. A questão é compreender o que se deseja e se preparar para isso. Se a aspiração é mudar de posição, de carreira ou de área, que conhecimentos e experiências podem ajudar?
Se o objetivo é permanecer onde está, o que precisa ser feito para sustentar essa escolha diante das transformações do mundo do trabalho?
Em ambos os casos, é necessário estabelecer metas e objetivos. Vejo a educação como uma das principais formas de alcançá-los.
A formação acadêmica costuma ser associada à obtenção de um diploma. No entanto, ela pode representar muito mais do que isso.
Uma graduação, uma pós-graduação ou uma formação técnica contribui para ampliar conhecimentos, desenvolver habilidades e abrir possibilidades profissionais.
Da mesma forma, a formação continuada não deve ser compreendida apenas como uma exigência do mercado. Ela também pode ser uma forma de manter a curiosidade viva, atualizar perspectivas e compreender melhor as mudanças que atravessam a sociedade.
Aprender continuamente é uma maneira de se preparar. Não há garantia de que todos os planos serão realizados exatamente como foram imaginados, mas o processo formativo oferece recursos para lidar com os imprevistos.
Quanto mais consciência temos dos nossos objetivos, mais sentido podem adquirir as escolhas que fazemos no presente.
Essa preparação não se limita aos cursos formais. Ela envolve leituras, conversas, participação em eventos, experiências práticas e construção de redes de relacionamento.
Muitas vezes, aprendemos tanto em uma sala de aula quanto em uma conversa com alguém que já percorreu determinado caminho.

Em O monge e o executivo, James C. Hunter apresenta a ideia de que liderar está profundamente relacionado a servir. Essa perspectiva nos lembra que o desenvolvimento profissional não pode ser separado da maneira como nos relacionamos com as pessoas.
Alguém que pretende administrar uma empresa precisa conhecer gestão, finanças, planejamento e estratégia. Mas também precisa aprender a ouvir, dialogar, tomar decisões, lidar com conflitos e reconhecer o potencial das pessoas que compõem uma equipe.
A formação, nesse sentido, é técnica, humana e relacional. Aprender como experiência de vida. Há uma frase atribuída a Leonardo da Vinci segundo a qual “a mente nunca se cansa de aprender”.
A ideia me acompanha porque aprender pode ser uma experiência de renovação.
Quando existe curiosidade genuína, o processo de aprendizagem pode despertar entusiasmo. A neurociência explica que o cérebro se modifica à medida que aprendemos e vivenciamos novas experiências.
Esse processo está relacionado à neuroplasticidade, isto é, à capacidade de o sistema nervoso criar e reorganizar conexões.
Além disso, a descoberta e a compreensão de algo novo podem envolver circuitos cerebrais relacionados à motivação e à recompensa, com participação da dopamina. É por isso que, em determinadas situações, aprender produz energia em vez de cansaço.
A sensação de compreender algo que antes parecia difícil pode ser profundamente prazerosa. Talvez seja essa uma das razões pelas quais as trajetórias de aprendizagem sejam tão significativas para mim. Existe algo de físico, emocional e cognitivo no ato de aprender.
A satisfação de perceber um avanço, superar uma dificuldade ou dominar uma nova habilidade não é muito diferente da sensação experimentada na academia ou no esporte.
Na atividade física, treinamos o corpo e acompanhamos sua evolução. No estudo, treinamos a mente e ampliamos nossa capacidade de interpretar, criar e agir. Em ambos os casos, os resultados dependem de processos contínuos, disciplina e intenção.
Também aprendemos a gostar de aprender. A motivação pode ser desenvolvida com o tempo, assim como se desenvolvem a resistência física, a concentração e a capacidade de persistir. Quanto mais percebemos os efeitos do aprendizado em nossa vida, mais dispostos ficamos a continuar.

Pensar nos próximos cinco anos não significa ter todas as respostas. Significa fazer perguntas que ajudem a orientar o presente. Onde quero estar? O que preciso saber? Que competências devo desenvolver? Que experiências podem me aproximar desse objetivo? Que relações preciso construir? O que já tenho e o que ainda preciso buscar?
Essas perguntas podem ser feitas por quem deseja uma grande mudança e também por quem pretende conservar a posição que conquistou. A manutenção também exige cuidado, atualização e disposição para enfrentar novos desafios.
No final das contas, tudo está relacionado a processos de ensino e aprendizagem para a vida. Aprendemos para trabalhar, liderar, conviver, decidir e recomeçar. Aprendemos para alcançar objetivos, mas também para compreender melhor quem somos e o que desejamos construir.
A educação não oferece um caminho pronto. Ela nos ajuda a construir o caminho possível com mais consciência, preparo e intencionalidade.
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