A ilusão do luxo: como as redes sociais moldam a percepção juvenil

coluna | Sala de Aula

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
27/08/2025 às 17h00 Atualizada em 02/09/2025 às 08h55

Instagram: @prof.alemoulin
YouTube: @draalessandramoulin

A crescente popularização das redes sociais e plataformas de jogos tem gerado um novo paradigma sobre o que consideramos real e virtual, especialmente entre jovens de 18 a 25 anos. Esse fenômeno traz à tona questões sobre o impacto das influências digitais na formação crítica desses indivíduos. A reflexão sobre até que ponto vale tudo por cliques e seguidores se torna cada vez mais pertinente diante de situações em que a presença virtual é vendida a um custo que envolve a dignidade e a ética.

Um exemplo claro dessa realidade é o caso do influenciador “Gato Preto”, que foi destaque no programa Fantástico da Globo, no último dia 24 de agosto, devido à sua participação em um acidente de trânsito. Posteriormente, ao postar nas redes sociais imagens de um ferimento e de seu carro de luxo avariado, ele construiu uma narrativa que misturava ostentação e vulnerabilidade, gerando uma onda de interações que pode minimizar valores éticos essenciais. Essa superficialidade na apresentação de situações pessoais, aliada ao desejo de entretenimento, leva o público a se desconectar da realidade e aceitar, como normal, o comportamento de se viver uma vida que não corresponde ao cotidiano.

A questão se agrava também com influenciadores como Virginia Fonseca, que se envolveram em debates sobre a regulamentação de plataformas de jogos e a CPI dos jogos no Brasil. Além da questionável superexposição de seus filhos nas redes, Vírginia vende a ideia de “dinheiro fácil” por meio dos jogos.

Assim, influenciadores promovem uma ilusão de que é possível obter sucesso sem certo esforço real, levando muitos a crer que a conquista de um status elevado, sem trabalho convencional, é uma realidade alcançável por todos. O conceito de influenciar traz consigo uma responsabilidade muitas vezes ignorada, já que o simples ato de ser um influenciador implica em promover valores que deveriam ser benéficos para a sociedade.

Diante desse contexto, surgem perguntas fundamentais: o que exatamente se vende? Seria a imagem? O intelecto? A polêmica? E, mais importante, o que esses elementos realmente representam na formação da juventude? As imagens e narrativas que circulam nas redes sociais podem instigar uma desconexão com a realidade, promovendo um comportamento influenciável e, muitas vezes, prejudicial, levando os jovens a não refletirem criticamente sobre o papel que as plataformas digitais e seus interlocutores desempenham em suas vidas.

Ademais, a relação entre essa nova realidade e a situação socioeconômica brasileira não pode ser ignorada. Com 6,3 milhões de desempregados, registrados no segundo trimestre de 2025, e a evasão escolar do ensino médio persistindo como um problema crítico, conforme dados do INEP de 2024, torna-se imperativo ampliar a pesquisa acadêmica sobre a ligação entre juventude, trabalho e o imaginário social.

A ascensão social, em tempos de dificuldade de emprego formal, pode muitas vezes resultar em ilusão, e os jovens, sob pressão para contribuir financeiramente para suas famílias, se veem diante de uma escolha difícil: continuar os estudos ou buscar alternativas de rendimento imediato. Essa pressão pode culminar em um abandono da escolaridade que traz à tona questões formativas e éticas que não podem ser desconsideradas. Assim, é essencial que educadores, pais e a sociedade como um todo reflitam sobre o que tem sido divulgado nas redes sociais e como isso impacta decisões e formação de valores.

Instigar o pensamento crítico sobre o valor do trabalho e a ética na construção da imagem pessoal são passos fundamentais para um desenvolvimento mais saudável e consciente. Num mundo em que a linha entre a real e a virtualidade é cada vez mais tênue, a educação para o bem comum e a promoção de debates críticos são essenciais. Se conseguirmos conscientizar os jovens sobre suas escolhas e dar espaço para que pensem sobre suas ações, talvez possamos construir um futuro em que a realidade e a virtualidade coexistam de maneira mais harmônica e ética, permitindo que a juventude se desenvolva em direções que realmente promovam seu bem-estar e a formação de uma sociedade mais justa e consciente.

✅ Clique aqui para seguir o Lead Notícia no WhatsApp

*A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
Ver notícias
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,02 +0,03%
Euro
R$ 5,62 +0,11%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 440,526,60 -0,63%
Ibovespa
204,302,33 pts -0.74%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade