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Um vento frio cortava o rosto. A paisagem branca iluminava os olhos. A cada passo, um cenário que misturava deslumbre e rusticidade, emoldurado pela natureza rica da Patagônia. Bariloche, essa pequena joia no sul da Argentina, me conquistou já na chegada. A aventura estava só começando, mas desta vez tinha um detalhe especial: eu estava ali com minha filha de apenas dois anos que, para minha surpresa, se revelou uma encantadora e destemida esquiadora.
Viajar com criança de dois anos (e sobreviver para contar)
Viajar com criança pequena é levar um pedaço de casa na mala e todos os bastidores que vêm junto. É carrinho, mamadeira na bagagem de mão, lanchinhos estratégicos e brinquedos para a hora do sufoco. É também a eterna negociação para vestir touca, luvas e casaco quando o termômetro marca zero grau. Mas é também descobrir que a neve fica ainda mais bonita refletida nos olhinhos curiosos de quem vê tudo pela primeira vez.
Ousadia nas pistas
O ski foi um capítulo à parte. No Cerro Catedral, as aulas de ski em grupo só começam a partir dos quatro anos. Mas eu decidi arriscar: contratei uma aula particular para minha pequena. Talvez fosse um ato de coragem (ou de loucura), mas eu acreditava no potencial dela. E não é que deu certo? Entre tentativas desajeitadas de equilibrar-se nos esquis e pequenas descidas sem o apoio do professor, vi a confiança dela crescer, e a minha também, tanto é que voltamos nos dois dias seguintes para repetir a experiência.
Se posso dar um conselho: investir em aulas particulares vale cada peso argentino. Os professores adaptam o ritmo, tornam o aprendizado mais seguro e ainda transformam cada minuto em diversão.
Muito além do ski
Bariloche vai muito além das pistas. Em Piedras Blancas, o teleférico nos levou ao topo por um cenário de cartão-postal, para depois descer de skibunda em alta velocidade, com muita neve na cara, tombos e risadas garantidas. No Circuito Chico, os mirantes arrancaram suspiros e nos renderam fotos que parecem pinturas. E, claro que não poderia deixar de citar, o sabor inesquecível das carnes patagônicas e das inesquecíveis empanadas de cordeiro do El Patacón, um restaurante para ir com calma e sem pressa de ir embora - algo impossível com criança pequena, mas que mesmo assim valeu cada minuto.
Chocolate é destino turístico
Entre uma aventura e outra, era impossível resistir às confeitarias. São inúmeras, cada uma mais charmosa e irresistível que a outra. Nossa favorita, a Rapa Nui, virou ponto de encontro diário: chocolates recheados com doce de leite, pistache, café… e fondues que aqueciam a alma.
Bariloche que fica no coração
Bariloche… ah, Bariloche. A cidade que acorda preguiçosa no inverno, com o sol aparecendo por volta das nove, mas que carrega energia para todas as idades: das criancinhas aspirantes a esquiadoras, aos estudantes comemorando a formatura, até casais apaixonados criando memórias para aquecer o inverno da vida.
Voltei com a mala cheia de chocolates, roupas sujas de lama de neve, luvas sem par e fotos que não cabem em nenhum álbum. Mas, acima de tudo, voltei com a certeza de que a neve pode derreter… mas a lembrança de um inverno assim, nunca.







