Férias e verão no Hemisfério Sul costumam significar calor intenso, praias lotadas e aquela busca quase automática por destinos ensolarados.
Mas muitos brasileiros, assim como eu, preferem mirar no outro lado do oceano, onde o inverno domina com charme e o brilho das montanhas nevadas transforma a paisagem em algo digno de um cartão-postal.
Foi assim meu último verão — ou melhor dizendo, meu último inverno — quando escolhi conhecer Val Thorens, a estação de esqui mais alta da Europa, nos Alpes Franceses.
No finalzinho de janeiro, vivi sete dias de imersão no inverno perfeito. Dessa vez estava acompanhada por vários casais de amigos.
Instalada no Club Med Val Thorens, descobri rapidamente que ali tudo funciona como um universo particular: organizado, confortável e com uma energia jovem que combina esporte, gastronomia e bem-estar na medida certa.
O hotel não aceita crianças, o que torna o ambiente ainda mais voltado para esportes e uma vida social animada.
Partimos cedo de Lyon com destino a Val Thorens. Foram aproximadamente três horas de carro por um cenário cinematográfico. A estrada serpenteia entre montanhas altíssimas, cobertas por um branco quase hipnotizante.
No Club Med, o acolhimento é imediato. Enquanto as malas sobem para o quarto, a vista da varanda já adianta o tom da experiência: neve infinita e aquela luz dourada típica das manhãs frias de inverno.
Confesso que sempre existe uma expectativa quando o tema é esqui, especialmente para nós, brasileiros, que não convivemos com a neve. Mas uma das grandes vantagens do Club Med é justamente a opção das aulas.
Todos os dias, às nove da manhã, já estava todo mundo bem alimentado, equipado e aquecido para começar. Instrutores preparados, grupos divididos por nível e aquele clima de “vamos juntos” que transforma cada descida em uma pequena conquista pessoal.
E isso, talvez, seja o maior encanto do esqui: a sensação de evoluir um pouquinho a cada dia.
Entre algumas quedas e descidas emocionantes, foi em Val Thorens que entendi por que tanta gente se apaixona pelo esporte.
A sensação de se desafiar e vencer o próprio medo é o principal combustível.
E não há como descrever o prazer de deslizar pela montanha, ouvir apenas o som dos esquis raspando na neve e sentir a energia do corpo reagindo ao frio.
Se tem algo que marcou essa viagem foram os après skis. E aqui, preciso destacar: eram totalmente a nossa cara.
Animados, badalados, cheios de gente bonita, bares movimentados e muita música eletrônica. Val Thorens é conhecida por ter alguns dos melhores après skis da Europa, alguns acessados diretamente com os esquis.
Mas tanto dentro quanto fora do Club Med, a atmosfera era contagiante.
Era impossível não se deixar levar pelas pistas de dança improvisadas, pelas risadas, pelos encontros inesperados e pelas taças brindando a cada pôr do sol.
Foi um daqueles momentos em que a viagem deixa de ser só sobre o destino e passa a ser sobre as pessoas que estão ali com você.
Uma das surpresas da viagem foi a qualidade da gastronomia. O hotel funciona no sistema all inclusive e tem absolutamente tudo mesmo!
Jantares temáticos, pratos bem apresentados, opções para todos os perfis (dos fitness aos fatness, rs), e aquele toque francês que aparece nos detalhes: nos queijos, nas sobremesas deliciosas, no cuidado com os vinhos.
Só não voltei com muitos quilos a mais porque queimava tudo descendo as montanhas.
Val Thorens foi mais do que uma viagem: foi uma experiência sensorial, esportiva e emocional. Foram sete dias que me lembraram que o inverno pode ser tão - ou até mais — caloroso que o verão.
Entre a adrenalina das descidas, o aconchego das noites e a beleza quase silenciosa das montanhas, voltei com aquela certeza boa de que a vida é feita desses momentos que nos tiram do lugar comum.
E, para muitos brasileiros que nunca imaginaram trocar o sol da praia pela luz branca da neve, talvez Val Thorens seja exatamente o destino que faltava para descobrir um novo lado das férias.
À bientôt!!
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