Conhecer Roma sempre esteve nos meus planos. Foram idas e mais idas à Europa ao longo dos anos, mas nunca dava para encaixar a cidade no roteiro. Talvez a expectativa fosse tão grande que eu fazia questão de esperar o momento perfeito.
Verão? Não, muito quente, diziam. Meia-estação? Ah, não… Roma com chuva perde a graça. Então vou quando a Mel nascer! Humm… cidade complicada para visitar com uma criança pequena. Por fim, parei de ouvir as pessoas e fiz o que meu coração — e meu bolso — me permitiram fazer.
Em meio às buscas por passagens para a Europa em janeiro, período em que costumo viajar para esquiar, encontrei uma oportunidade irrecusável: voo direto de São Paulo para Roma por um valor que eu não via há tempos. Nem pensei duas vezes.
No dia 12 de janeiro de 2026, lá estava eu embarcando rumo a mais um sonho. Estava frio do jeito que gosto, algo entre 2°C e 3°C. Mas nada se comparava à sensação de ver, diante dos meus olhos, lugares que até então eu conhecia apenas por filmes e documentários.
Que cidade mágica. Eu, turista assumida que sou, claro que fiquei impressionada com a imponência do Coliseu. Quem diria que ruínas poderiam ser tão esplendorosas?
História sempre me fascinou. Talvez por isso eu seja tão apaixonada por destinos como esse. Quando descobri que o tour pelo Coliseu incluía uma área recentemente reaberta ao público, senti que estava tendo um privilégio raro.
Pela primeira vez em muitos anos, os visitantes podiam percorrer novamente os subterrâneos do monumento. E eu estava ali para descer ao lugar onde tudo realmente começava.
Roma já estava fria o suficiente, mas caminhar por aqueles corredores estreitos e escuros fazia a gente tremer ainda mais.
A visita ao complexo subterrâneo, conhecido como hipogeu, é limitada e sempre acompanhada por um guia. Ali embaixo não existe glamour. O clima é de tensão, silêncio e, por que não dizer, tristeza.
Eram naqueles labirintos que os gladiadores aguardavam o momento de entrar na arena. Muitas vezes, sabiam que não voltariam dali.
A experiência começa com a exibição de um vídeo que simula exatamente esse instante. Enquanto, ao fundo, ecoam os gritos da multidão ansiosa pelo espetáculo, ouvem-se apenas as batidas aceleradas do coração e a respiração ofegante de um gladiador caminhando em direção ao seu destino. É impossível não se arrepiar.
Animais selvagens, como tigres e crocodilos, também permaneciam ali, confinados em jaulas. E uma impressionante engenharia, construída há quase dois mil anos, fazia toda aquela engrenagem funcionar.
Plataformas e elevadores de madeira, movimentados pela força humana, faziam homens e animais surgirem na arena como em um passe de mágica, diante de milhares de espectadores.
No local também tinha um complexo sistema de água e drenagem para ajudar na eliminação do sangue e excremento que escorria de cima.
Os combates transformavam gladiadores em verdadeiras celebridades da época. Os mais vitoriosos conquistavam admiradores, fama e até uma espécie de torcida organizada. Alguns recebiam tratamento diferenciado e eram mantidos em acomodações mais privilegiadas.
Ainda não tinha visto tamanha grandiosidade. Ali, a imponência vai além da arquitetura, mas nas histórias que o lugar carrega. Nos últimos minutos de vida de tantos homens e sangue derramado para entreter uma multidão.
Talvez por isso esse não seja um passeio para todos. Há quem saia encantado pela engenharia romana e quem saia profundamente incomodado com a crueldade que aquele lugar representa.
Eu saí refletindo sobre os dois. Entendendo que, quase dois mil anos depois, o Coliseu continua cumprindo exatamente o mesmo papel: deixar seus visitantes sem palavras.