Adultizaçao infantil: o que podemos fazer sobre isso?

colunista Lead

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
12/08/2025 às 09h00 Atualizada em 21/08/2025 às 09h41

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ilustração criada por IA

Na história da humanidade, a visão sobre a infância evoluiu significativamente. Na Idade Média, por exemplo, as crianças eram frequentemente vistas como "adultos em miniatura". Essa percepção era evidente na forma como elas se vestiam, realizavam tarefas e participavam das atividades familiares e sociais. As roupas refletiam as dos adultos e as crianças, desde muito jovens, eram inseridas em obrigações que contrastavam com a visão moderna da infância como uma fase especifica de desenvolvimento e aprendizado.

Durante essa época, a infância não era reconhecida como um período distinto e especial, com suas próprias necessidades e características. Essa falta de reconhecimento impactava o desenvolvimento infantil de maneira negativa, uma vez que as crianças não tinham o tempo e o espaço adequados para explorar e crescer dentro dos limites de suas capacidades cognitivas e emocionais.

Com a chegada da Idade Moderna, a visão sobre a infância começou a passar por uma transformação. Estudiosos da educação, psicólogos e biólogos, observando a importância do desenvolvimento cognitivo e social das crianças, começaram a destacar o papel fundamental da família e das relações sociais. Essa mudança gradual refletiu uma compreensão mais aprofundada sobre como o desenvolvimento infantil devia ser nutrido por meio de interações adequadas.

No entanto, nos tempos atuais, enfrentamos um fenômeno crescente conhecido como adultização infantil. Este conceito caracteriza-se pela atribuição de responsabilidades e expectativas adultas em crianças, além de expô-las a pressões sociais inapropriadas para sua idade. A discussão foi impulsionada por influenciadores digitais, como o vídeo de Felca no YouTube sobre o tema (em 3 dias contou com mais de 27 milhões de visualizações) e é explorada em séries como "Black Mirror", que criticamente abordam as pressões sociais sobre a imagem pessoal, a padronização social e a demanda voraz por audiência.

A adultização pode ter profundas implicações psicológicas. Retomando os estudos de Vygotsky, enfatiza-se que funções psicológicas elementares das crianças são transformadas em funções superiores por meio da interação social e cultural. Porém, em um ambiente em que a adultização predomina, essas interações podem ser inadequadas ou prejudiciais, comprometendo o desenvolvimento saudável.

Neste cenário, a educação e a escola desempenham um papel crucial. É urgente que as escolas debatam temas contemporâneos, como o vídeo do Felca, e incentivem a participação das famílias nessas discussões. A responsabilidade educacional estende-se a ensinar sobre segurança nas redes sociais, orientando os pais a monitorarem as atividades online de seus filhos para protegê-los.

Como mãe de um adolescente, tomo medidas para monitorar suas redes sociais, buscando garantir que ele esteja seguro e consciente dos conteúdos que consome. Assisti ao vídeo do Felca com ele, parando para explicar detalhes cruciais, como a responsabilização dos pais, o impacto psicológico nos jovens e o significado do algoritmo sobre o que ele consome na rede. Em casa, também mantenho uma política de redução do tempo de uso do celular, o que não garante que ele nunca vá consumir o que não deve no ambiente virtual, mas ajuda a analisar o que não fazer e a diminuir o tempo de exposição, auxiliando no foco, na atenção e na interação no mundo real.

Portanto, para enfrentar esses desafios, propõe-se que as escolas sejam um ambiente propício para iniciar discussões sobre a fase atual da vida digital, abordando riscos e responsabilidades. A conscientização e o diálogo contínuo sobre esses temas podem equipar tanto pais quanto educadores com as ferramentas necessárias para apoiar o desenvolvimento saudável das crianças em um mundo cada vez mais digital. Precisamos aproveitar o movimento, iniciado por Felca, para propagar processos educativos que promovam mudanças significativas na forma de  interagir e consumir as informações na sociedade virtual para também promover um ambiente com pessoas saudáveis no mundo real.

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*A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

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professora TerezaHá 1 ano BahiaForça para o tema!! Ótimo
Gege Há 1 ano MinasFoi preciso ir na internet para policiai prender esses bandidos. Adultizaçao nunca mais!
Crisitna Há 1 ano SPgostei do texto. O assunto precisa ganhar ampla divulgação
Rodrigo Ferreira Há 1 ano Amazonas Assunto que deveria ser disciplina nas faculdades de educação
Luciana BotelghHá 1 ano Anapolis Casa, escola, igreja... todos devem debater o tema JÁ
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Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
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