Educação como processo de construção: caminho para relações respeitosas

colunista Lead

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
08/08/2025 às 06h00 Atualizada em 12/08/2025 às 09h14

Instagram: @prof.alemoulin
YouTube: @draalessandramoulin

O recente caso de violência, em que um homem agrediu sua namorada com 61 socos dentro de um elevador no Rio Grande do Norte, evidencia a brutalidade de certos atos e a urgência de refletirmos sobre a educação e as referências que estamos oferecendo. Este episódio nos leva a reconsiderar como educamos nossos meninos e meninas e o valor que damos ao respeito nas relações.

A educação na formação de cidadãos vai além da simples transmissão de normas, é um processo contínuo e colaborativo. Embora comece em casa, não se restringe ao ambiente doméstico. O que uma criança observa nas interações familiares influencia, ainda que parcialmente, como ela se relacionará no futuro. Entretanto, precisamos expandir esse contexto: facilitar reflexões, apresentar múltiplas perspectivas e criar espaços seguros para o diálogo são essenciais.

As escolas têm o potencial de se tornarem centros de apoio e troca. A discussão de temas como sexualidade, masculinidade, feminicídio e respeito às diferenças deve integrar o cotidiano escolar. Não basta transmitir informações; é necessário promover questionamentos, empAitia e fornecer ferramentas para o autorreconhecimento e a construção de relações saudáveis.

Relacionamentos abusivos não surgem de maneira súbita. Antes de atos extremos, como os 61 socos, geralmente precedem vários sinais de alerta. Identificar essas dinâmicas faz parte de um processo educativo que exige sensibilidade, escuta, autonomia e coragem. Fortalecer a autoestima, o autorrespeito e a capacidade de estabelecer limites é fundamental.

Educar também significa dar o exemplo. Um pai que trata a companheira com consideração ou uma mãe que não aceita desrespeito ensina por meio da ação. Esses atos diários mostram que o afeto e o cuidado não se confundem com controle ou violência, sendo formas efetivas de aprendizado. É preciso ensinar também a meninas e meninos a não permitirem o desrespeito e a intransigência.

Além da violência física, é crucial abordar a violência simbólica, que muitas vezes passa despercebida, mas possui efeitos igualmente destrutivos. Atos de intimidação, insultos ou manipulação psicológica corroem a autoestima e a percepção de valor próprio. Educar para reconhecer e resistir a essa violência é essencial para a construção de relações saudáveis. É imprescindível fomentar a consciência sobre como palavras e comportamentos podem ferir, para que possamos criar um ambiente mais respeitoso e inclusivo, onde todos se sintam seguros e valorizados.

Mesmo diante de desrespeito dentro de casa ou na família próxima, é crucial construir debates sobre o assunto, esclarecendo que essas atitudes não representam padrões adequados. As crianças podem repetir comportamentos observados, por isso, é essencial mostrar claramente o que não deve ser seguido. Este esclarecimento ajuda a desenvolver uma compreensão crítica desde cedo, permitindo que reconheçam comportamentos negativos e escolham interações baseadas no respeito e na empAitia. Educar para quebrar ciclos de desrespeito é uma maneira poderosa de contribuir para a formação de indivíduos capazes de criar e manter relações saudáveis.

Não existe um único caminho predeterminado. Cada ser humano está em constante evolução. A possibilidade de transformação está presente — desde que haja espaço, acolhimento e compromisso coletivo. Ensinar respeito, escuta ativa e presença afetiva é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, comunidades e sociedade.

Vamos ser arquitetos de relações mais conscientes. Cada palavra, cada exemplo e cada oportunidade de diálogo podem moldar pessoas mais respeitosas, atentas e cuidadosas com os outros e consigo mesmas, trazendo benefícios diretos e reais para toda a sociedade.

*A republicação é gratuita desde que citada a fonte
Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Leila Chalub Há 1 ano Brasília/DFExcelente e oportuna reflexão!
Tati Moinho Há 1 ano Tocantins Ótima reflexão
Carla DinizHá 1 ano São PauloSou educadora, Dra Alessandra, e tenho conversando muito com os responsáveis dos meus alunos: conversem com seus filhos, tirem tempo com seus filho. A cada dia que passa é desafiador a educação ficar só com a escola. Parabéns pela reflexão.
Izaulci Há 1 ano MGAmei a frase “Vamos ser arquitetos de relações mais conscientes…“
MariHá 1 ano Salvador Honestamente acho q não tem mais solução. Ta difícil educar
Mostrar mais comentários
Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
Ver notícias
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,02 +0,03%
Euro
R$ 5,62 +0,11%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 440,526,60 -0,63%
Ibovespa
204,302,33 pts -0.74%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade