Avaliação da Aprendizagem ou Avaliação para as aprendizagens?

colunista Lead

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
05/08/2025 às 06h00 Atualizada em 11/08/2025 às 11h33

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Na semana passada, durante o III Congresso Nacional de Avaliação para a Aprendizagem (CONAAP) em Salvador, estudei e debati questões centrais sobre educação, avaliação e aprendizagens. Ao lado da Professora Doutora Edileuza Fernandes, orientadora do meu doutorado, e da Professora Mestra Lívia Gonçalves, apresentei uma pesquisa focada na formação continuada dos professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal, explorando alternativas às práticas avaliativas convencionais.

Historicamente, a avaliação da aprendizagem foca em momentos pontuais de medição, utilizando testes e provas que resultam em notas ou conceitos. Essa abordagem, embora importante, tende a seguir uma lógica somativa, desconsiderando as particularidades individuais dos alunos ao longo do processo pedagógico.

Em contraste, a avaliação para as aprendizagens oferece uma estratégia contínua e dinâmica, não apenas mensurando, mas também orientando e apoiando os discentes e docentes. Nessa perspectiva, os resultados educacionais são uma responsabilidade compartilhada. Importa, assim, que os professores adaptem suas metodologias com base em feedback constante, transformando o erro de em uma oportunidade de aprendizado reflexivo e criativo.

Essa mudança paradigmática direciona a ação dos educadores para uma transformação de suas práticas formativas. Enquanto a educação tradicional se concentra em resultados finais, a formação docente atual, sustentada por metodologias participativas e dialógicas, reinterpreta o papel do erro no aprendizado. O erro deixa de ser falha e passa a ser uma oportunidade de crescimento cognitivo, sendo analisado e explorado para aprofundar o raciocínio estudantil.

Considere uma aula de matemática em que os alunos estão aprendendo equações de 2º grau. Um aluno comete um equívoco na aplicação da fórmula, resultando em uma resposta incorreta. Em vez de simplesmente corrigir, o professor adota uma abordagem investigativa, questionando o aluno sobre cada passo. Descobre-se que o erro se originou de uma interpretação equivocada do sinal na fórmula.

Aqui, o erro transforma-se em um ponto de aprendizado por meio de:

(1) Reflexão e Análise: o aluno revisita o passo a passo de sua solução, desenvolvendo habilidades metacognitivas;

(2) Exploração Conceitual: o professor explora profundamente o conceito, discutindo a importância dos sinais;

(3) Discussão Colaborativa: o erro serve como catalisador para uma discussão em classe, promovendo um ambiente colaborativo;

(4) Estratégias Alternativas: o professor sugere diferentes maneiras de abordar problemas similares, ampliando as estratégias de solução dos alunos.

Esse processo transforma o erro de um obstáculo em uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento crítico e a autonomia nas aprendizagens futuras, incentivando uma compreensão mais aprofundada do material.

Para a implementação eficaz da avaliação para as aprendizagens, é crucial que os educadores desenvolvam uma compreensão crítica das teorias educacionais e sejam capacitados a criar ambientes de aprendizagem dinâmicos. O feedback deve ser construtivo e adaptativo.

Contudo, não se deve responsabilizar apenas o professor pelo sucesso ou fracasso dos seus estudantes Diversas condições político-estruturais influenciam os desafios enfrentados nesta abordagem, tais como: políticas de avaliação em larga escala, exigências burocráticas e a pressão para lidar com múltiplos instrumentos de avaliação.

Portanto, as práticas avaliativas voltadas para as aprendizagens têm como objetivo criar ambientes educacionais inclusivos e favoráveis ao desenvolvimento integral dos estudantes. Essa abordagem é fundamental para uma educação transformadora que atenda às demandas sociais, políticas, educacionais e culturais atuais. No entanto, essa mudança requer espaços formativos e recursos que capacitem os docentes a integrar essa perspectiva em suas práticas.

Para aprofundar-se no tema, recomendo a leitura de Benigna Villas Boas, Cipriano Luckesi, Claudia Fernandes e Jussara Hoffman.

 

*A republicação é gratuita desde que citada a fonte
Citação formato ABNT: 
SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].

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Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
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