Defesa de Bolsonaro pede anulação de condenação

Advogados apontam contradições na atuação do ministro e apresenta nova revisão criminal ao STF contra pena de 27 anos e três meses

Por: Redação
01/10/2026 às 09h30
Defesa de Bolsonaro pede anulação de condenação

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma nova revisão criminal para tentar anular a condenação de 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.

Desta vez, os advogados usam manifestações recentes do ministro Alexandre de Moraes no caso Master para questionar a condução do processo que levou à condenação do ex-presidente.

A defesa sustenta que Moraes adotou posições diferentes diante de situações que considera semelhantes.

A solicitação será relatada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Comparação com Master

Um dos principais pontos envolve o acesso às provas e o tempo disponível para analisá-las.

No caso Master, Moraes argumentou que precisava ter acesso integral ao material reunido pela Polícia Federal e tempo suficiente para avaliar as informações.

Os advogados de Bolsonaro afirmam que não tiveram as mesmas condições durante a ação penal da tentativa de golpe. Segundo a defesa, o volume de material era elevado e parte dos dados foi disponibilizada pouco antes do início das audiências.

A defesa considera que isso prejudicou o exercício do direito de defesa.

Atuação de Moraes

Outro questionamento envolve o papel de Moraes durante a fase de investigação.

Ao se defender dos questionamentos relacionados ao caso Master, o ministro argumentou que um magistrado não pode assumir funções próprias de investigação.

Os advogados de Bolsonaro afirmam que Moraes teve participação ativa na condução de diligências durante a investigação da tentativa de golpe. Para a defesa, existe uma contradição entre as duas posições.

Esses argumentos ainda precisam ser avaliados pelo Supremo.

Provas digitais

A nova revisão também apresenta um parecer técnico que, segundo a defesa, aponta problemas na cadeia de custódia de provas digitais utilizadas no processo.

A cadeia de custódia reúne os procedimentos usados para registrar e preservar uma prova desde a coleta até sua utilização no processo. A defesa sustenta que eventuais falhas podem comprometer a validade do material.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF. A decisão já transitou em julgado, mas a legislação permite a apresentação de revisão criminal em determinadas situações.

Nova estratégia

A petição é assinada pela equipe comandada pelo advogado Celso Vilardi, que atuou na defesa de Bolsonaro durante o julgamento.

Na semana passada, outra equipe havia pedido a suspensão imediata da execução da pena. O pedido foi retirado poucas horas depois. A revisão criminal, porém, continuou em tramitação.

Agora, a defesa busca usar os acontecimentos posteriores envolvendo o caso Master como novos elementos para tentar reverter a condenação.

O STF ainda não decidiu se os argumentos apresentados serão suficientes para reabrir a discussão sobre a condenação.

 

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