O Brasil quer uma resposta do STF

A sociedade espera mais do que adiamentos, disputas internas e silêncio.

Por: Eduardo Moura | coluna Em Conexão
15/09/2026 às 08h28 Atualizada em 15/09/2026 às 08h54

 

Enquanto Brasília discute relatórios, mensagens, competência e suspeição, milhões de brasileiros estarão também vivendo outra urgência nesta terça-feira.

Acordando cedo, pegando ônibus lotado, enfrentando trânsito e fazendo conta para saber se o dinheiro chega até o fim do mês.

É para esse brasileiro que o Supremo Tribunal Federal precisa responder.

Nesta terça-feira, o plenário do STF se reúne para analisar o material da Polícia Federal sobre as mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Algo inédito na história do Supremo. Um ministro na pauta do STF.

A Corte poderá decidir se existem elementos para uma investigação formal contra Moraes ou se o caso deve ser arquivado. 

Não se trata, portanto, de condenar antecipadamente um ministro. Muito menos de transformar suspeita em culpa. Trata-se de algo mais básico. Saber o que aconteceu.

O problema é que o brasileiro já conhece bem o caminho que algumas crises percorrem em Brasília. Surge a denúncia, aparecem documentos e começam as brigas.

Brasília passa dias falando de regimento, competência, nulidade e procedimento. Depois vem um adiamento. O assunto perde espaço. Outro escândalo aparece e a pergunta original fica sem resposta.

Desta vez, o país precisa de uma resposta que vá além do rito e chegue ao ponto central da dúvida.

Um pedido de vista, por exemplo, pode interromper o julgamento. Pelas regras do próprio Supremo, o processo pode ficar suspenso por até 90 dias antes de ser automaticamente liberado para voltar à análise. 

Noventa dias talvez pareçam pouco dentro de um tribunal. Para quem acompanha tudo do lado de fora, é uma eternidade.

A discussão parece distante da fila do posto de saúde, do ônibus cheio ou da compra parcelada no supermercado. Não é. Instituições sem credibilidade custam caro a um país.

Quando o cidadão começa a desconfiar de quem julga, de quem investiga e de quem deveria fiscalizar o poder, a democracia perde uma das coisas mais difíceis de recuperar, a confiança.

O Supremo tem enorme importância para o Brasil. Foi protagonista na defesa da ordem democrática em momentos recentes e suas decisões atingem diretamente a vida de milhões de pessoas.

Justamente por isso, não pode exigir transparência dos outros e oferecer silêncio quando as dúvidas chegam à própria Corte.

Alexandre de Moraes tem direito à presunção de inocência, ao contraditório e a todas as garantias que qualquer cidadão deve ter. O que não pode existir é uma proteção diferente porque o personagem agora está dentro do tribunal.

Quem acorda às cinco da manhã talvez não conheça o número da petição que será julgada. Não precisa conhecer. Quer apenas uma coisa muito mais fácil de entender.

Uma resposta. Clara, rápida e que não desapareça quando as câmeras forem embora de Brasília.

 

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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