Alfabetização de adultos: encontro entre a história e o conhecimento

A colunista Alessandra Moulin relata a experiência de voltar à sala de aula e reflete sobre o papel transformador do EJA.

Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
28/02/2026 às 06h00 Atualizada em 08/03/2026 às 11h47
reprodução: educação de adulto

Retornar à sala de aula como alfabetizadora de  adultos, após mais de 25 anos na educação, tem sido uma poderosa retomada do meu próprio caminho de humanização.

Sob as lentes da Pedagogia Histórico-Crítica, compreendo que o ato de ensinar não é apenas um acolhimento afetivo, mas o compromisso político de garantir ao estudante o acesso ao saber elaborado.

Esta experiência me provoca a estudar novamente, buscando metodologias que transformem o conhecimento universal em instrumento de libertação e de leitura crítica da realidade.

Nesse processo, a Psicologia Histórico-Cultural nos ensina que o desenvolvimento mental não é um dado biológico isolado, mas o resultado da interação social e da apropriação da cultura.

Enquanto a criança inicia sua trajetória, o adulto chega à escola com funções psicológicas superiores complexas, construídas na prática do trabalho e na vida social.

Ele não possui apenas "conhecimentos prévios", mas uma leitura de mundo que precisa ser confrontada e enriquecida pelo conhecimento científico para que ocorra o salto qualitativo na aprendizagem.

Sendo assim, o ensino na Educação de Jovens e Adultos (EJA) falha quando é puramente mecânico porque desconsidera que o aprendizado impulsiona o desenvolvimento.

Como educadora, meu papel é atuar mediando a transição entre o que o aluno já sabe fazer sozinho e o que ele pode alcançar com a minha intervenção e a colaboração dos pares.

A sala de aula como espaço de humanização

educadora 

Nesse cenário, a sala de aula se revela como um espaço de heterogeneidade, onde o desafio é socializar o conhecimento sistematizado respeitando a singularidade, mas sem reduzir o ensino ao senso comum.

O erro, sob esta ótica, não é uma falha individual, mas uma marca do processo dialético de apropriação do saber, que exige o fortalecimento da autoestima para que o estudante se reconheça como sujeito histórico capaz de aprender.

Estratégias de Humanização e Conhecimento

Para que a alfabetização seja efetiva, trabalhamos em três frentes essenciais:

· O aluno como sujeito social: superar o estigma da vergonha e do "atraso", compreendendo que a exclusão escolar é um fenômeno social e não uma incapacidade pessoal.

· O erro como etapa da organização do pensamento: ressignificar o erro como parte da superação da síncrese (visão fragmentada) em direção à síntese (conhecimento organizado).

· A relação dialógica: estabelecer vínculos de confiança que permitam ao adulto desafiar-se diante do novo, superando o medo imposto por anos de exclusão.

EJA Rio Grande do Sul

Além desses aspectos é importante partir do texto e do contexto não apenas como uma escolha metodológica, mas um reconhecimento de que a linguagem é a ferramenta cultural por excelência.

O adulto já está inserido no mundo letrado; ele opera com símbolos e significados em sua rotina produtiva. Ensinar por meio de gêneros textuais reais é proporcionar que ele não apenas "decifre códigos", mas que se aproprie da escrita como instrumento de luta e participação social.

Essa abordagem converge com a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, reafirmando que ensinar exige a consciência de que a educação é uma forma de intervenção no mundo.

Nossa missão é manter o rigor intelectual e a humildade pedagógica para oferecer as ferramentas necessárias para que cada estudante exerça plenamente sua cidadania.

Um convite à transformação

Por fim faço um convite à Transformação, pois incentivar um adulto a retomar os estudos é possibilitar a ele a apropriação de um legado histórico.

Se você conhece alguém que busca dominar a leitura e a escrita, indique a escola pública mais próxima.

Para os moradores de Brasília, as Regionais de Ensino da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) oferecem o suporte necessário para o ingresso na EJA.

Seja um agente de mudança e ajude a transformar realidades por meio do acesso ao saber.

 

Clique aqui e ouça o podcast 

 

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Fabiano Há 7 meses MGO EJA mudou a vida de um tio meu. Hoje ele é um ser que ama a literatura e os jornais . Um beijo para Escola Estadual Governador Milton Campos MG
Vilma Há 7 meses Brasília Meu pai é aluno do EJA. Todo dia da semana a noite ele está lá na aula firme e forte
Camila Texeira Há 7 meses Natal CetroTenho muito medo de que algum governo maluco acabe com o EJA. Ela é fundamental para o nosso Brasil. Gostei muito do seu texto Alessandra
Marina Há 7 meses Catolé MGÉ um Dos programas mais lindos . Toda oportunidade que tenho eu falo ou incentivo alguém a procurar o EJA
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Alessandra Moulin
Alessandra Moulin
Pedagoga com mais de 25 anos de experiência e Doutora em Educação pela UnB, é sócia-fundadora da Pangea Consultoria Educacional. Seus estudos enfocam temas como Currículo, Ensino Militar e Defesa Nacional. Dedica-se à pesquisa educacional com rigor acadêmico, oferecendo conteúdo objetivo e confiável para a compreensão de temas educacionais contemporâneos
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