E a mãe? Tira férias?

Uma reflexão necessária, honesta e que provoca uma pergunta final impossível de ignorar.

Por: Marina Marquez | coluna De Mãe para Mãe
11/02/2026 às 06h00
férias 

Quando entra fevereiro e as crianças voltam para a escola, existe uma sensação no ar de respiro coletivo.

É quase uma comemoração em grupo de “sobrevivemos a mais uma”.

Não há uma mãe, nesse início de ano, que não olhe para trás e pense que deu conta: trabalhou; manteve os filhos vivos, apesar das brigas; garantiu alimentação e diversão e, ainda por cima, entregou todo mundo mais corado na escola, com todo o material escolar comprado.

Dezembro e janeiro são meses conturbados para a mãe. Mas este ano eu experimentei uma sensação diferente: eu tirei férias dos filhos.

Calma, veja bem. Antes de me julgar, continue mais umas linhas.

Não foi uma escolha. Meus filhos têm férias compartilhadas com o pai, e este foi meu primeiro janeiro com 15 dias livres, to-tal-men-te livres.

Eu malhei todos os dias. Dormi muito. Passei alguns dias sem pensar em comida, por pura preguiça de decidir o que comer. Em outros, me alimentei de vinho. Viajei sem as crianças.

Por alguns dias, suspendi a minha versão mãe e reencontrei uma Marina que, às vezes, parece distante até de mim.

Essa experiência — poder pensar em mim de um jeito quase egoísta — tem um efeito colateral: ela escancara o quanto a maternidade não admite intervalos.

Coincidentemente ou não, foi num desses dias que me deparei com o vídeo que viralizou de uma mãe com o bebê no colo, andando na esteira de uma academia. Ela está fazendo o que pode, dizia a legenda.

Assista ao vídeo:

Na minha academia, todas as quintas, encontro uma mãe que se divide entre o bebê no peito e no carrinho. Ninguém a olha com admiração; olham com pena.

Como se a leitura fosse automática: coitada, não consegue ter tempo para treinar sozinha.

No ano passado, um instrutor passou uma semana inteira dando aula com o bebê no sling. A reação não foi parecida. Não havia pena — havia aplauso. Nele, parecia estampado “pai do ano”.

A diferença revela uma regra silenciosa: olhamos para a mãe sempre com a obrigação de vê-la cuidando. Cabe a ela essa responsabilidade. Logo, vê-la vivendo algo diferente disso — ou ver o pai fazendo o que, tradicionalmente, não cabe a ele — gera estranhamento demais.

E a gente estranha porque a mãe não é vista como pessoa, é vista como função. Chamam de amor, de instinto, de jeito de mãe.

Mas, na prática, é uma economia do cuidado: um trabalho invisível que mantém a vida de pé e que, se fosse contado como riqueza, entraria no ranking das maiores economias do mundo, com apenas quatro economias acima desse valor.

Quando a mãe tenta sair do papel, o mundo estranha, porque alguém vai ter que segurar o que ela segurava. E é aí que o meu, o seu, o nosso descanso vira suspeita. Estamos preparadas para um mundo em que a mãe pode tirar férias?

Minha tia, desde que eu me separei, diz que devia existir uma lei que obrigasse as mães a terem o direito de tirar dias para si. Férias mesmo para a mãe. Mesmo as casadas. Que, se fosse instituída a guarda compartilhada para as casadas, os casamentos, sem dúvida alguma, durariam mais.

Eu votaria no direito de férias para as mães. Não como luxo, mas como manutenção. Você não?

 

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Thaís Há 6 meses Jundiai Férias sempre por favor!
Isadora Andrade Há 6 meses RJUma amiga me mandou o seu texto Marina. Minha pergunta é: mãe que vai para o carnaval sem marido e filhos, tb é férias? Esse ano fiz isso ! Merecia
Andrea Cavalcanti Há 6 meses Porto Alegre Marina, tentei comprar o livro pelo Link mas não deu certo. Tem outra forma?
Leuci Há 6 meses Santos SPFérias para as mães deveria tá na Constituição. Lei trabalhista
Elaine Araújo Há 6 meses Vila Mad SPO tema é necessário. Muitas mães não tem férias. Gente, pelo amor de Deus, toda mãe tem esse direito
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Marina Marquez
Marina Marquez
Jornalista, escritora, empresária e mãe de dois. Com mais de 18 anos de trajetória na comunicação, escreve sobre maternidade, rotina, afetos e os desafios da mulher real. Em sua coluna “De mãe para mãe”, compartilha reflexões sobre os encontros e desencontros da maternidade e da vida — sempre com sensibilidade, coragem e um toque de leveza. Acredita que contar histórias é também uma forma de cuidar.
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