Argentina encerra 2025 com inflação de 31,5%, a mais baixa desde 2017

Índice anual mostra forte desaceleração após pico histórico em 2023

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
13/01/2026 às 19h20 Atualizada em 27/01/2026 às 08h50
ilustração foto: Lead

O encerramento de 2025 trouxe um dado que o governo de Javier Milei não hesitou em transformar em vitrine política: a inflação anual ficou em 31,5%, o menor índice registrado pela Argentina em quase dez anos.

Para um país historicamente marcado pela corrosão dos preços, o número simboliza mais do que uma estatística econômica, representa um argumento central na narrativa do atual presidente.

A desaceleração inflacionária é resultado direto de um programa de ajuste duro, baseado em cortes de gastos, redução do papel do Estado e revisão de subsídios.

Impacto no dia a dia 

Do ponto de vista macroeconômico, o resultado é inegável. No cotidiano da população, no entanto, a percepção ainda é ambígua.

Alimentos, tarifas e serviços básicos seguem pressionando o orçamento das famílias, o que evidencia que a queda da inflação não significa, necessariamente, melhora imediata do custo de vida.

O contexto político amplia o peso desse resultado. 2025 foi também um ano de eleições legislativas, fundamentais para medir o fôlego do projeto de Milei.

O desempenho de sua base no Congresso reforçou a leitura de que parte significativa do eleitorado está disposta a sustentar reformas impopulares em troca da promessa de estabilidade econômica.

fonte: Governo da Argentina

 

Apoio de Trump

No cenário internacional, Milei encontrou respaldo em aliados ideológicos, especialmente no então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A aproximação reforçou a confiança de mercados e investidores, mas abriu espaço para críticas internas sobre alinhamento automático e dependência política externa.

encontro Trump e Milei em 2025

O dado da inflação, portanto, deve ser lido com cautela. Ele sinaliza avanço, mas não encerra o debate.

O desafio do governo argentino em 2026 será provar que o controle dos preços pode caminhar junto com recuperação do poder de compra e redução das tensões sociais.

Mais do que um número, a inflação de 31,5% se consolida como o principal ativo político de Milei até aqui e, ao mesmo tempo, como o seu maior teste para o futuro.

 

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Babi Há 9 meses SPEstive no interior da Argentina recentemente , fiquei assustada com o valor de tudo
Luiz Alberto FerreiraHá 9 meses POAMilei fazendo milagre!
Bárbara Há 9 meses DFEdu, como é a flutuação de preços nos mercados por ai? Acredito que cada dia deva ser um preço diferente, né?
Rafael Há 9 meses RecifeCARACAS: 31,5% ainda é muito alto! Em 2025, a inflação do Brasil fechou em 4,26% e já é tudo caro por aqui!!
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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