Foragidos mantêm capítulo aberto na Argentina

O colunista Eduardo Moura, direto da Argentina, destaca as condenações do STF e a presença de foragidos brasileiros no país vizinho.

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
08/01/2026 às 08h55 Atualizada em 14/01/2026 às 15h48
Crédito: Joedson Alves/Agência Brasil

O 8 de janeiro de 2023 deixou marcas que não cabem apenas nos livros de história.

Quem vive fora do Brasil, como eu, percebe que aquele dia segue sendo referência quando o assunto é democracia, radicalização e limites institucionais.

Não foi só um ataque aos prédios em Brasília; foi um abalo na imagem do país e na confiança de que rupturas desse tipo ficariam no passado.

No plano interno, a resposta foi clara. O Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 réus pelos atos golpistas.

As sentenças avançaram, os processos ganharam corpo e o Judiciário assumiu o protagonismo que o momento exigia.

O recado foi direto: não se tratava de protesto, mas de tentativa de golpe.

A Argentina como refúgio e novo front jurídico

Buenos Aires, Argentina

Visto daqui da Argentina, porém, o capítulo ganha outra camada. Cerca de 60 condenados estão foragidos no país, muitos após romper tornozeleiras eletrônicas.

Buenos Aires virou endereço recorrente em despachos judiciais brasileiros, pedidos de extradição e reportagens que misturam política, diplomacia e direito internacional.

O governo argentino, sob Javier Milei, adota um tom calculado. Não declarou que acolherá ou protegerá os foragidos de forma ampla, mas também não se comprometeu prontamente com todas as extradições.

A linha é de cautela institucional, tentando equilibrar a cooperação com o Brasil e o respeito às obrigações legais previstas nos tratados bilaterais de extradição.

O 8 de janeiro, portanto, ainda está em curso. Ele se estende nos tribunais, nas fronteiras e no silêncio estratégico de quem aposta no tempo como aliado.

A democracia, vista de fora, mostra que também se sustenta na persistência e na decisão de não tratar ataques institucionais como páginas viradas antes da hora.

 

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Aliene Santos Há 9 meses BHIsso é um soco no governo Brasileiro. Absurdo esse povo todo tá na Argentina. Fico imaginando quantas outras pessoas estão espalhadas pelo mundo
Ageno Há 9 meses SPÉ um absurdo isso! O povo quebra tudo e vai pra outro país. Detalhe: tenho certeza que estão na Argentina e não pagaram nada do q quebraram no Brasil
DiegoHá 9 meses Buenos Aires, ArgentinaExcelente texto!
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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