Peguei a minha lista de planos de 2025 para checar. Não bati a meta de treinos. Não estudei tudo o que queria.
Não consegui manter a paciência pelo tempo que me propus. Viajei menos do que eu sonhei. Enlouqueci mais do que eu achava possível.
É isso, Simone. Sabe o que foi que aconteceu? A vida. Eu vivi. E viver, quase sempre, é negociar com a falta de controle.
Eu queria treinar, mas machuquei o braço no excesso de trabalho e, como se a agenda precisasse de um plot twist, ainda caí da escada com minha filha no colo.
Adoeci, senti dor de tudo quanto é jeito. Tive semanas em que o corpo parecia um boletim de ocorrências.
Comprei cursos. Vários. E quando sobrava um respiro para assistir, depois de cuidar sozinha de duas crianças pequenas, manter a casa girando e entregar duas jornadas de trabalho, eu mal conseguia manter o olho aberto. O meu cérebro apertava “salvar” e desligava.
Eu contei até 45 algumas vezes, respirando do jeitinho que a psiquiatra ensinou. Mas sabe o que rolou? Eles gritaram, eu gritei. A maternidade devia vir com doses extras de paciência, mas faltou isso na dosagem lá de cima. A farmácia do céu estava em falta bem no meu lote.
Também teve decepção. Teve ansiedade. Teve choro no chuveiro e na sala, sem glamour, só necessidade. Teve taça de vinho para esquecer e, no fim, foi o sono que eu perdi. Teve dia em que eu me senti pequena diante da vida e com responsabilidades grandes demais para um corpo só.
A vida me mostrou, mais um ano, que eu não controlo quase nada. Só controlo, com esforço, o jeito como eu olho para a realidade. E, se eu contar esse ano só pela régua das metas, parece um desastre. Mas a verdade é que a vida não cabe em checklist.
Foi um ano difícil, sim. Muito desafiador. Só que também foi o ano de uma conexão sem explicação com os meus filhos. O ano em que eu deixei a casa do meu jeito. O ano em que eu voltei a dançar. O ano em que eu recebi apoio de gente incrível. O ano em que eu conheci pessoas que eu não quero que saiam mais da minha vida.
Foi um ano de muita vida. E viver é entender o plano como maleável. Fazer planos e não morrer de frustração quando eles não se cumprem.
Meta é boa de bater, mas, vez ou outra, é maravilhosa de dobrar e colocar no bolso. Leveza, no fim, tem muito mais a ver com escolher as batalhas certas do que com vencer todas.
Para 2026, eu desejo ainda mais vida. Mas, se possível, com um tiquinho só mais de controle.
E, se não der controle, que dê chão. Que dê rotina. Que dê rituais pequenos que seguram a casa quando o mundo balança. Que eu siga fazendo o que dá, sem transformar isso em derrota. Porque eu vivi. E viver, do jeito real, já é muito.
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