Futebol Argentino na mira da polícia 

Acusações de fraude fiscal, investigação em clubes e o olhar atento da Fifa colocam a seleção campeã do mundo no centro de uma turbulência institucional

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
15/12/2025 às 12h59 Atualizada em 07/01/2026 às 15h04
Polícia na sede da AFA

Quem vive na Argentina aprende rápido que futebol aqui nunca é apenas futebol.

Acompanhar o noticiário local nas últimas semanas tem sido um exercício diário de tradução para quem olha de fora.

A Associação do Futebol Argentino (AFA), responsável pela seleção campeã do mundo, virou protagonista de um escândalo que mistura impostos, Justiça, política e poder.

A AFA é como a CBF no Brasil. 

A crise

A acusação é grave. A AFA teria retido cerca de 7,5 bilhões de pesos, algo em torno de R$ 28 milhões, em impostos e contribuições previdenciárias.

Esse dinheiro, que deveria ter sido repassado ao Estado, foi mantido pela entidade.

A investigação não se limita à cúpula da AFA. Mais de 30 clubes de futebol também aparecem no radar da Justiça, incluindo grandes nomes da primeira divisão.

O que parecia um problema pontual passa a ser tratado como um modelo de gestão questionável, sustentado por anos dentro do futebol argentino.

sede da AFA

Atenção redobrada

À medida que o caso avança, cresce um temor que vai além das fronteiras argentinas.

A Fifa observa com atenção porque suas regras são claras: federações nacionais devem operar sem ingerência do poder político.

Se a investigação for interpretada como uma intervenção direta do Estado na AFA, o futebol argentino pode enfrentar punições duras, incluindo a hipótese, ainda distante, mas real, de a Argentina, atual campeã mundial, ficar fora da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México.

O impacto 

Nas ruas de Buenos Aires, o clima é de incômodo. Não há pânico, mas desconfiança. O argentino comum sabe que o futebol é mais do que um jogo. Ele é identidade, é política informal, é consenso raro. Ver a AFA envolvida em disputas fiscais e institucionais corrói essa relação.

Mais do que um escândalo esportivo, o episódio revela um problema estrutural. Quando o futebol entra em crise na Argentina, o efeito nunca fica restrito aos estádios. 

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Francisco SoutoHá 10 meses BH CentroA corrupção está em todo lugar, nao seria diferente no futebol. Absurdo esses jogadores ganharem o que ganha. Mas é o trabalho deles. Roubo tem na Argentina, Brasil, EUA... geral
Iracil Há 10 meses Goiania e ainda tem gente que fica sofrendo por conta de futebol. eles ficam tudo rico e o povo sofrendo por causa de bola. nem
Juca Há 10 meses Natal - Barros SÉ muita grana em jogo. Dvido não jogarem na copa… mas além do seu texto , vi tb que muitos foram presos ????
Carlos Henrique SilvaHá 10 meses Adrianópolis, Manaus a crise que hoje atinge a Argentina não é novidade para quem acompanha o futebol, no Brasil a CBF já viveu escândalos assim. Ricardo Teixeira 89 a 2012?? Lembram? falta de transparência total na gestão do futebol. enquanto isso não mudar o risco de novos escândalos vai seguir rondando os clubes nacionais e internacionais
Camila Santos Há 10 meses S Oeste GOEduardo, acho muito difícil eles ficarem fora do Copa. É muito dinheiro investido, rola muita grana, muitos dólares. Tudo comprado...aguardemos os próximos passos
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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