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Neste domingo, o peronismo mostrou que ainda tem muita força. Axel Kicillof, atual governador e nome da coalizão Fuerza Patria, saiu vencedor das eleições na província de Buenos Aires. Importante frisar: não se trata da cidade de Buenos Aires, capital do país, mas da província vizinha, que sozinha concentra cerca de 40% do eleitorado argentino. É como se fosse um “estado” no Brasil, com peso decisivo para qualquer disputa nacional.
Com quase metade dos votos, Kicillof deixou para trás o candidato apoiado pelo presidente Javier Milei, que ficou na casa dos 34%. O resultado, ainda que restrito a uma província, tem impacto direto na política nacional. Afinal, perder Buenos Aires significa perder terreno no maior colégio eleitoral do país e justamente às vésperas das eleições legislativas de outubro.
Para Milei, é um golpe duro. Além do desgaste com a crise econômica e do escândalo envolvendo sua irmã, agora ele precisa lidar com a leitura política de que sua base perdeu fôlego onde mais importa.
E, como sempre acontece por aqui, a política anda de mãos dadas com a economia. Assim que os números saíram, os mercados reagiram mal: títulos argentinos despencaram, ações caíram em dólares e o risco-país disparou. O governo tentou segurar a turbulência com aumento de juros, mais exigências aos bancos e venda de dólares das reservas.
Mas o que preocupa mesmo é o câmbio paralelo. O dólar blue, termômetro da confiança dos argentinos, já ameaça subir mais uma vez. A lógica é conhecida: quanto mais incerteza política, mais corrida ao dólar. E quanto mais o dólar sobe, maior a pressão sobre os preços.
O recado de Buenos Aires, portanto, foi duplo: nas urnas, um freio ao projeto de Milei; na economia, mais combustível para a instabilidade que já vinha em alta.