Desde maio, a Argentina enfrenta uma emergência sanitária que já deixou mais de 90 mortos. Todas essas pessoas receberam ampolas de fentanil que, segundo as autoridades, estavam possivelmente contaminadas com bactérias perigosas.
O medicamento, usado em hospitais para aliviar dores intensas e induzir anestesia, foi o elo comum identificado em todos os casos.
O epicentro do surto foi a cidade de La Plata, localizada a cerca de 60 quilômetros da capital Buenos Aires. Ali, médicos começaram a perceber um aumento incomum de infecções graves em pacientes hospitalizados.
A confirmação ocorreu quando o hospital informou à ANMAT, órgão do governo argentino responsável por regular, fiscalizar e controlar medicamentos, a detecção das bactérias Klebsiella pneumoniae e Ralstonia pickettii. Ambas são resistentes a vários antibióticos e podem ser letais.
A investigação rastreou a produção até a empresa HLB Pharma e o Laboratorio Ramallo, responsáveis por distribuir cerca de 300 mil ampolas em todo o país. De acordo com o governo, aproximadamente 45 mil ampolas foram aplicadas antes do recall. A falta de um sistema nacional de rastreabilidade dificultou a localização de todas as unidades e impediu saber com precisão onde cada ampola foi parar.
Atualmente, 24 pessoas ligadas à fabricação e distribuição do medicamento estão sob investigação judicial. Elas estão proibidas de deixar o país e tiveram seus bens bloqueados.
A tragédia revela falhas profundas na fiscalização e na cadeia de produção de medicamentos e deixa uma lição urgente: em saúde pública, a demora no controle e a ausência de rastreamento custam vidas que poderiam ter sido preservadas.