Respondendo a pergunta que mais ouço: “Está tudo caro aí em Buenos Aires?”

Colunista Lead

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
10/07/2025 às 05h00 Atualizada em 17/07/2025 às 09h36

“Está tudo caro aí em Buenos Aires?” Desde que me mudei para cá, há três meses, essa é, de longe, a pergunta que mais recebo de amigos e familiares no Brasil. A resposta é direta: sim, está tudo muito caro. Percebi isso logo nos primeiros dias, ao fazer algo simples como ir ao mercado. Um pacote de 500g de café custava cerca de $24.000 pesos argentinos, o que equivale a algo entre R$ 90 e R$ 100. No Brasil, eu pagava menos da metade por isso. Foi aí que entendi, na prática, o peso do custo de vida por aqui.

Desde a posse do presidente Javier Milei, a Argentina entrou em um ciclo intenso de ajuste econômico: cortes profundos nos gastos públicos, fim do controle cambial e uma batalha diária contra a inflação. Em maio de 2025, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta mensal de 1,5% (a menor em cinco anos) e a inflação acumulada em 12 meses ficou em 43,5%, segundo o INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina).

A comida continua pesando no bolso. Em maio, os preços dos itens básicos acumulavam alta superior a 290% em 12 meses, com aumentos expressivos em produtos como tomate, cenoura e café. Para se ter uma ideia, o café moído sozinho subiu mais de 8%.

Comer fora também virou luxo para muitos. Segundo o jornal Ámbito Financiero, 76% dos argentinos reduziram a frequência a bares e restaurantes nos últimos meses. Antes da chegada de Milei ao poder, era possível fazer uma refeição fora de casa gastando metade do que se gasta hoje.

Viver na Argentina hoje exige planejamento e jogo de cintura. Quem ganha em dólar ainda consegue se equilibrar melhor, mas para quem recebe em pesos, o desafio é diário. Apesar disso, é curioso ver como o país segue vivo e pulsante: cafés lotados, livrarias cheias, shoppings movimentados. Mesmo em meio à crise, o argentino não abre mão de viver bem.

Na próxima semana, trago mais detalhes sobre uma das apostas do governo para tentar reativar a economia: as medidas que buscam convencer os argentinos a tirarem seus dólares guardados “no colchão” e voltarem a investir no país.

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DiegoHá 1 ano DFMuito legal! Curioso para ler o que vem por aí.
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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