A prisão de Cristina Kirchner

coluna | Em Conexão

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
12/06/2025 às 15h48 Atualizada em 09/07/2025 às 18h22

A confirmação da prisão de Cristina Kirchner fez a Argentina prender a respiração – por choque, por revolta, por alívio. Ex-presidente e figura central da política argentina nas últimas décadas, Cristina foi condenada em um dos processos por corrupção que vinham se arrastando nos tribunais.

Vi pela TV, nos jornais, nas redes, mas vi também das janelas e calçadas de Buenos Aires: manifestações pipocando em apoio a ela, bandeiras da Argentina e cartazes com a frase “Cristina no se toca”. Gritos de revolta, discursos inflamados, como tem sido comum nas últimas décadas em torno do nome dela.

Mas não foi só isso. Também vi (e ouvi) aplausos discretos, conversas em lojas e até fogos isolados. Em alguns bairros, argentinos comemoravam a decisão da Justiça como um passo necessário, talvez até atrasado. “Já era hora”, me disse um senhor na fila do mercado, com uma serenidade quase triste.

É difícil explicar o peso do nome de Cristina Kirchner por aqui. Para muitos, ela é símbolo de uma era de inclusão social e orgulho nacional. Para outros, um exemplo do que a política tem de mais vicioso e concentrador de poder. Agora, com a prisão decretada, a polarização que há tempos domina o país se intensifica ainda mais.

A Argentina, mais uma vez, parece dividida entre amor e rejeição. E para quem mora aqui, como eu, é impossível não sentir no ar essa mistura de indignação e alívio, de tristeza e justiça, tudo junto, tudo ao mesmo tempo.

O tempo vai dizer se esse capítulo será lido como justiça feita ou como perseguição política. Por ora, o país segue em movimento, e a história, como sempre, sendo escrita nas ruas antes mesmo de chegar aos livros.

Entenda o caso:

A sentença está relacionada ao chamado “caso Vialidad”, no qual Cristina foi acusada de comandar um esquema de direcionamento de obras públicas na província de Santa Cruz, reduto histórico do kirchnerismo. Segundo a Justiça, durante seus dois mandatos na presidência, ela teria favorecido empresas do empresário aliado Lázaro Báez, com contratos milionários e superfaturados. Foi condenada por administração fraudulenta, num processo que movimentou o país desde o início e se tornou símbolo da disputa entre kirchneristas e opositores.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Caio MaHá 1 ano Chile Bandida! Os argentinos precisam se livrar dessa peste!
Mostrar mais comentários
Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
Ver notícias
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,02 +0,03%
Euro
R$ 5,62 +0,11%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 440,727,06 -0,59%
Ibovespa
204,302,33 pts -0.74%
Publicidade
Publicidade
Enquete
...
...
Publicidade