Por que a carne argentina ficou fora da nova cota dos EUA?

Decisão não fecha o mercado americano, mas abre mais espaço para países concorrentes.

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
28/08/2026 às 07h00 Atualizada em 28/08/2026 às 10h26

Quando um dos maiores mercados consumidores do mundo anuncia que vai comprar mais carne, qualquer país exportador presta atenção.

Nesta semana, os Estados Unidos abriram uma cota temporária para importar mais 300 mil toneladas. A Argentina, porém, não poderá participar. 

À primeira vista, parece uma oportunidade perdida. Mas é preciso colocar a decisão em perspectiva.

A Argentina ficou de fora porque já possui uma cota própria para vender carne ao mercado americano. O mesmo aconteceu com Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Reino Unido. 

 

Argentina x EUA 

No caso argentino, essa cota é de 100 mil toneladas. Até pouco tempo atrás, eram apenas 20 mil.

A ampliação ocorreu em fevereiro e abriu um espaço importante para os frigoríficos argentinos no mercado americano.

Os números mostram que esse espaço está sendo aproveitado. Segundo dados do governo argentino,  entre janeiro e julho, a Argentina exportou 67.118 toneladas de carne para os Estados Unidos.

No mesmo período de 2025, haviam sido 22.183 toneladas. É um crescimento de 202,6% em apenas um ano. 

Os Estados Unidos já são o segundo principal destino da carne argentina. Isso ajuda a entender por que a abertura de qualquer nova janela naquele mercado interessa ao país.

Mais exportações significam mais vendas externas e entrada de dólares em uma economia que precisa ampliar sua capacidade de gerar divisas. 

O problema não é perder

A Argentina não perdeu a cota que já possui e também não houve fechamento do mercado americano para a carne do país.

O que houve foi uma oportunidade adicional que outros concorrentes poderão aproveitar. O principal beneficiado tende a ser o Brasil, além de países como Paraguai.

São justamente exportadores que não possuem uma cota individual como a argentina. 

A carne argentina vive um momento forte no mercado externo. Nos primeiros sete meses de 2026, as exportações do setor somaram US$ 2,768 bilhões, alta de 41,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Mario Ravettino, presidente do Consórcio ABC, atribuiu o resultado a “um cenário internacional muito favorável em matéria de preços”.

 

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, é editor-chefe do portal Lead Notícia.
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