Argentina é o único país da América Latina a apoiar ataques contra o Irã

Decisão do governo Milei contrasta com a postura cautelosa de outros países vizinhos e reposiciona o país no cenário internacional

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
05/03/2026 às 08h42 Atualizada em 10/03/2026 às 17h31
Casa Rosada - sede do governo

Observo que, em meio à tensão global, a Argentina decidiu não ficar na ambiguidade. O governo fez um movimento raro na diplomacia latino-americana.

Foi o único país da região a apoiar publicamente os ataques dos Estados Unidos contra o Irã.

Enquanto governos vizinhos falaram em diálogo e cautela, Buenos Aires escolheu o alinhamento explícito.

Coerência presidencial

A decisão não surgiu de improviso. Javier Milei vem consolidando uma aproximação política e ideológica com Washington e com Israel.

O apoio à ofensiva reforça essa estratégia e mantém coerência com o discurso adotado desde o início da gestão.

A Argentina é, até aqui, um dos poucos países no mundo a assumir posição tão direta.

Fora da América Latina, apenas o Canadá anunciou apoio formal.

A reação regional

O governo representativo da Venezuela lamentou a opção militar. O presidente da Colômbia criticou a ação americana. O México defendeu a via diplomática.

O Brasil também adotou tom cauteloso. O governo brasileiro reiterou a importância do respeito ao direito internacional e da busca por soluções negociadas, evitando endossar o uso da força.

Nesse contexto, o gesto argentino ganha ainda mais contraste.

Engrenagem internacional

No Oriente Médio, países como Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Jordânia e Kuwait permitiram operações americanas a partir de seus territórios.

Na Europa, a França anunciou que defenderá países do Golfo diante de eventuais ataques, e o Reino Unido autorizou o uso de bases para ações defensivas.

O movimento argentino, portanto, não ocorre no vazio. Mas, dentro da América Latina, permanece isolado.

Memória

Há ainda um componente histórico relevante. O atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, segue como trauma institucional.

A Justiça argentina atribuiu responsabilidades a autoridades iranianas.

Esse passado influencia a leitura oficial sobre Teerã e ajuda a compreender a firmeza do posicionamento atual.

atentado em Buenos Aires, em 1994

 

Protagonismo e custo

O gesto tem implicações. Ao se afastar da linha predominante na América Latina, tradicionalmente vinculada ao multilateralismo e à busca por soluções diplomáticas, a Casa Rosada assume um distanciamento regional.

Caption

Não se trata apenas de ideologia. Trata-se de estratégia. O cenário internacional está tensionado.

Conflitos desse porte afetam mercados, cadeias de energia e estabilidade política. Ao se posicionar de forma tão clara, Buenos Aires troca prudência por protagonismo.

Resta saber se essa aposta produzirá ganhos concretos de influência ou se ampliará fissuras dentro da própria região.

Em política externa, cada gesto pesa e o custo de falar alto pode ser tão relevante quanto o de permanecer em silêncio.

 

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Ruty Há 7 meses Lisboa Milei está brincando com fogo. Será que Milei aguentará a consequência?
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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