Senado argentino aprova reforma trabalhista de Milei

Texto que flexibiliza contratos e reduz indenizações recebeu 42 votos favoráveis e segue agora para a Câmara dos Deputados

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
12/02/2026 às 13h38 Atualizada em 12/02/2026 às 13h54
painel de votação no Senado argentino

O Senado da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (12), o projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo governo de Javier Milei.

Com 42 votos a favor e 30 contra, a proposta, que é um dos pilares da agenda econômica do presidente, avança para a Câmara dos Deputados, onde passará por nova análise e poderá sofrer alterações finais.

O projeto centraliza o debate econômico no país ao propor mudanças profundas nas relações de trabalho. Entre os pontos principais estão a flexibilização de contratos, a redução de multas rescisórias e a facilitação de demissões.

O governo defende que as medidas são essenciais para reduzir a informalidade, que atinge cerca de 40% da força de trabalho argentina, e para estimular novos investimentos ao diminuir os custos com litígios trabalhistas.

Confrontos e feridos

manifestação em Buenos Aires

A votação ocorreu em meio a um cenário de forte resistência social.

Na quarta-feira (11), as imediações do Congresso Nacional, em Buenos Aires, foram palco de violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

A polícia utilizou gás de pimenta, balas de borracha e caminhões com canhões d'água para conter os grupos que protestavam contra a perda de direitos.

Segundo informações da imprensa local, pelo menos quatro agentes ficaram feridos e duas pessoas foram presas.

Manifestantes revidaram com pedras e garrafas, chegando a derrubar cercas de proteção montadas pela segurança.

Críticas e oposição

Apesar do otimismo do governo, sindicatos e setores da oposição criticam severamente o texto.

O argumento é que a reforma não gerará empregos em um contexto de estagnação econômica e queda no consumo.

Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA), alertou para o fechamento de milhares de companhias nos últimos anos e afirmou que o problema real reside na "abertura indiscriminada das importações" e na falta de incentivos ao setor produtivo.

Próximos passos

Para garantir a aprovação célere na Câmara, o governo negociou cerca de 30 modificações no texto original.

A meta da gestão Milei é transformar a reforma em lei antes de 1º de março, data que marca a abertura do período de sessões ordinárias do Congresso.

Desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, as políticas de ajuste e redução do Estado aplicadas por Milei resultaram na perda de aproximadamente 300 mil postos de trabalho formais, afetando principalmente os setores da indústria e da construção civil.

 

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, mora em Buenos Aires e editor-chefe do portal Lead Notícia.
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