Sequências e polípticos: uma história visual em várias imagens

O colunista Daniel Laviola explora como composições fotográficas formadas por múltiplas imagens permitem criar histórias e transmitir emoções.

Por: Daniel Laviola | coluna Visão 35MM
24/10/2025 às 06h00 Atualizada em 19/01/2026 às 10h18

O termo políptico vem do latim polyptichum, usado originalmente na pintura sacra medieval. Eram painéis articulados que, ao serem abertos, revelavam narrativas - a anunciação, a vida dos santos, a crucificação.

Na fotografia contemporânea, o conceito se transforma. Agora o sagrado é o cotidiano, e a narrativa pode nascer de reflexos, texturas ou variações sutis de luz.

Assim como os antigos mestres, o fotógrafo moderno usa o políptico para organizar o tempo em fragmentos visuais, criando conexões que só o olhar atento é capaz de decifrar.

foto: Daneil Laviola

Construindo uma sequência visual

Construir uma sequência é mais do que alinhar imagens semelhantes. É orquestrar relações, onde:

  • Ritmo: alternando planos abertos e fechados cria respiro.

  • Contraste: não em sua cor, mas no jogo das oposições que mantém o olhar vivo – luz e sombra, cor e ausência, movimento e estática.

  • Progressão: cada imagem deve conduzir à próxima, como notas em uma melodia.

  • Coerência: as imagens precisam compartilhar um mesmo código visual – paleta, textura, luz, atmosfera – mesmo sendo distintas.

O bom políptico não é um mosaico, mas uma conversa - um diálogo entre imagens que se escutam.
Ele exige pausa, leitura, contemplação. Permite ao artista criar camadas de interpretação - algo entre o cinema e a poesia visual.

Uma sequência bem construída pode revelar a passagem do tempo, a transformação de um lugar, ou simplesmente o movimento interno do fotógrafo diante do mundo.

É o ponto em que o olhar se torna narrativa e o instante se transforma em continuidade.

foto: Daniel Laviola

A disposição e o espaço entre imagens

A disposição das imagens, lado a lado, sobrepostas ou em blocos, muda completamente a leitura.

O espaço entre elas é tão expressivo quanto a própria imagem e, em exposições, invade o espaço físico.

O espectador caminha, o corpo participa da leitura, e a imagem se torna experiência.

O políptico se torna, assim, uma espécie de mapa mental do olhar. É a maneira de entender como vemos o mundo, o que nos inquieta e o que nos comove.

Em tempos de velocidade, o políptico convida à permanência.

É um ensaio sobre o tempo, sobre a memória e sobre a forma como as imagens se completam umas às outras.

 

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Noé Moreira Há 8 meses Guará DFalternando planos abertos e fechados cria respiro, essa orientação é muito importante. uso muito.
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Daniel Laviola
Daniel Laviola
Nasci em São Paulo, sou graduado em Ciências Econômicas, mas sempre nutri uma profunda conexão com as artes. Tenho um olhar atento para a estética, e encontrei na fotografia um meio de expressar sentimentos e capturar a essência dos momentos. O desejo de compartilhar essas imagens se tornou um impulso para explorar novos destinos e registrar, por meio das minhas lentes, a riqueza do mundo ao meu redor. Convido você a acompanhar a coluna Visão 35mm, onde compartilho imagens, histórias e reflexões sobre o que vejo e sinto por trás de cada clique.
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