Quando a diplomacia precisa ser forte como um café brasileiro

Colunista Lead

Por: Ricardo Viana | coluna Economia
12/07/2025 às 12h00 Atualizada em 01/08/2025 às 11h48

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Uma das cafeterias mais famosas do mundo é americana, e a cada esquina dos Estados Unidos, lá está ela com sua emblemática sereia verde. Se aceitar uma sugestão de economista (e apreciador de café), experimente o Pike Place Roast, um blend dos mais queridos da casa e servido nos EUA, Brasil e boa parte do planeta.

A ironia? Muito desse “café americano” é, na verdade, café brasileiro. O Brasil é um dos principais fornecedores dessa rede global, e não por acaso: lideramos a produção e exportação mundial, respondendo por quase 40% do café do mundo. Motivo de orgulho... e, às vezes, de preocupação.

Nesta semana, o aroma do café foi ofuscado pelo cheiro de guerra comercial: o governo dos EUA resolveu impor tarifas altas em produtos brasileiros. Como o café é item de peso na nossa pauta de exportação para lá, é caso clássico de “perde-perde”: ambos saem ressentidos, e sem brinde.

Ressalto: isto não é sobre política, é sobre economia. Tarifas e barreiras comerciais existem desde Roma antiga. Podem fazer sentido em certos casos, como defender uma indústria em desenvolvimento. Mas, com o tempo, viram sinônimo de ineficiência. O Brasil sabe bem: já curtimos altos e baixos por fechar mercado demais ou proteger à exaustão.

No curtíssimo prazo, sai perdendo o Brasil, que tem menos espaços para exportar, impactando empregos e crescendo menos. Nos EUA, a substituição do produto brasileiro dificilmente virá com a mesma qualidade e preço; quem paga é o consumidor, a indústria e os empregos. O comércio internacional não é apenas transação de mercadorias. É troca de experiências, cultura e eficiência.

E agora, José? Recorrer à Organização Mundial do Comércio seria o caminho óbvio, mas a OMC tem sido mais “figurativa” que “resolutiva”. O jeito é apostar na diplomacia. Como a maré está ruim para todos, aumentar o diálogo pode ser o empurrão que faltava para retomar negociações e garantir que o café volte a unir, e não dividir.

Está mais do que na hora de acionarmos o histórico vitorioso da diplomacia brasileira e, quem sabe, de levantarmos juntos uma xícara de café para celebrar bons acordos. Afinal, café é bom pra começar o dia, mas melhor ainda para recomeçar boas parcerias.

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DanielaHá 1 ano BrasíliaPerspectiva real em relação às consequências desastrosas quando a diplomacia é falha ou é negligenciada. A consequencia direta é ruptura das cadeias produtivas, a perda de mercados e o aumento da instabilidade econ̈ômica para todos os lados. Eu, Tu, Ele, Todos nós perdemos! Muito triste!
Bety Há 1 ano São PauloJá foi o Brasil, agora é o Mexico e a União Europeia. Trump monstro!
Roberto Aguiar Há 1 ano Rio de JaneiroRicardo, você acha que a economia do planeta pode colapsar ?
FelipeHá 1 ano Bsb DFExcelente. Lúcido e realista. Minha dúvida eh o papel desempenhado pelo atual corpo diplomático. Esperemos e …torçamos tomando um delicioso café brasileiro
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Ricardo Viana
Ricardo Viana
Mestre em Economia e diretor da POUPEX (Associação de Poupança e Empréstimo). Autor do livro “Matemática Financeira – Graduação, Pós-Graduação e Concursos”, agora em sua 3ª edição, Viana também se destaca como educador digital. Com quase 150 mil seguidores nas redes sociais, ele se tornou um dos principais influenciadores da área ao transformar conteúdos técnicos e avançados em vídeos acessíveis e didáticos. Seu trabalho alcança desde concurseiros até profissionais que buscam aprimorar seus conhecimentos financeiros, consolidando seu nome como referência internacional em educação digital.
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