Instagram: @juneivabsb / Linkedln: Juliana Neiva
Em tempos de rolagem infinita, manchetes urgentes e opiniões tão prontas quanto rasas, eu sinto falta de parar. Não sei você, mas no meio do dia corrido, sentindo-me no centro de um tornado, tenho vontade de desacelerar e olhar com calma. De escutar o que está por trás do que se grita. De sentir a calmaria.
O convite para esta coluna chegou repleto de afeto, no momento perfeito em que preciso de pausas e de um olhar para dentro. Quando o Edu Moura me falou da ideia, não pensei duas vezes — tinha certeza de que queria estar em mais um projeto com esse amigo de coração gigante, leal, que esteve ao meu lado em muitos momentos. Já trabalhamos juntos em pelo menos quatro oportunidades diferentes, e sempre fomos muito felizes nas parcerias.
Voltando à coluna (me perco ao falar de sentimentos e boas memórias), Do Meu Ângulo é mais do que um espaço de opinião — é um convite ao mergulho. À pausa. À escuta. Aqui, quero escrever com a profundidade que a pressa nos rouba e com a liberdade que só a maturidade — profissional e afetiva — pode dar. Quero falar do que me emociona, do que me move. Quero falar do que me indigna, mas também de afeto.
Foram mais de 13 anos nas redações, cobrindo o calor da política, a lógica dura da economia, os bastidores dos tribunais. Depois, vieram os bastidores do poder, quando assumi a comunicação de órgãos públicos e de autoridades de Brasília. Foi ali que entendi que a notícia não termina no fato — ela começa nele.
Sou jornalista há 25 anos, uma mãe leoa e amiga do meu filho e amo viajar. Sou inquieta. Já tive medo de não dar conta de muita coisa — mesmo assim, fui. Com medo mesmo! Dizem que sou corajosa quando quero realizar um sonho. Talvez eu não seja lá tão corajosa, mas, na verdade, seja impulsionada pelo pavor de sentir medo e deixar que ele me paralise.
Viajar é uma paixão, é a pausa necessária, é o lúdico que me reinventa, é o lugar dos beijos e abraços que a rotina me rouba. Ser mãe me obriga a ver o mundo com outros olhos, mais atentos ao futuro. O trabalho me tonifica e me conecta com a mulher que não posso esquecer que sou — um pouco de tudo. Inevitavelmente, esse caldeirão se refletirá na coluna. Quero falar de política sem perder a ternura (parafraseando Che), quero falar de democracia sem perder o senso crítico, de afeto sem perder a verdade. Também vou falar sobre o desafio de criar filhos, sobre o que vi e ouvi nas ruas e nos aeroportos, no Uber, na rodoviária, sobre o que li no jornal e ouvi no elevador.
Este espaço é para quem, como eu, quer pensar junto, se emocionar, se revoltar e, quem sabe, se transformar um pouco a cada leitura.
Porque, no fim das contas, ver o mundo do meu ângulo é só uma forma de estender a mão e perguntar: e do seu, como tudo isso parece?