Você conseguiria viver seis meses sem salário?

Mesmo com 69% dos brasileiros afirmando ter dinheiro guardado, especialista alerta que guardar dinheiro não basta

Por: Redação
04/09/2026 às 09h06

A realidade financeira de milhões de famílias revela um contraste que preocupa. O dinheiro até existe, mas não dura.

Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha, mostra que 69% dos entrevistados afirmam ter alguma reserva para emergências.

Na prática, porém, 43% ficariam sem esse recurso em até seis meses. O cenário é ainda mais delicado para quase um terço da população, que não tem nada guardado.

O resultado aponta para uma espécie de “segurança de curto prazo”, que não sustenta imprevistos mais sérios, como perda de renda, doenças ou despesas inesperadas.

Para especialistas em finanças, o problema não está só no hábito de guardar, mas principalmente em como esse dinheiro é gerido. A poupança, ainda muito presente no dia a dia das famílias, já não dá conta do recado.

“Durante muito tempo, a poupança foi vista como porto seguro. Hoje, ela funciona mais como um lugar de passagem do que de proteção. O dinheiro fica parado, rende pouco e perde força com o tempo”, explica o especialista em investimentos, Marco Loureiro, sócio e líder da XP no Centro-Oeste. 

Com rendimento baixo e pouca eficiência frente à inflação, deixar toda a reserva na poupança pode significar perder poder de compra, justamente quando o recurso mais se faz necessário. Outro ponto que ajuda a explicar essa fragilidade é a dificuldade de transformar intenção em organização financeira.

Apenas uma parte da população consegue guardar dinheiro com frequência, e é ainda menor o número daqueles que fazem isso com estratégia.

“Não adianta só guardar um dinheiro quando sobra. A reserva de verdade precisa de constância e objetivo. O ideal é ter um valor que segure pelo menos seis meses das despesas da casa”, afirma Marco.

O especialista ainda reforça que o caminho mais seguro passa por produtos simples, acessíveis e com liquidez diária, como Tesouro Selic e CDBs, alternativas que permitem resgate rápido sem abrir mão de rendimento e tão seguros quanto a poupança.

Erro comum custa caro

Entre os deslizes mais comuns estão deixar o dinheiro parado, misturar reserva com investimentos de risco ou simplesmente não separar o que é emergência do que é plano de longo prazo.

“Boa parte da população acredita que está preparada, mas, na primeira dificuldade, precisa recorrer a empréstimos ou dispor de crédito não planejado. Isso mostra que a reserva não estava bem estruturada”, completa.

A falta de uma reserva sólida também pesa noemocional. A insegurança financeira aumenta o estresse e faz com que decisões sejam tomadas no impulso, sem planejamento, o que pode agravar ainda mais a situação.

O avanço da educação financeira no país já aparece nos números, mas ainda não chegou com força na prática. Dados da B3 mostram que Goiás concentra 177.584 contas de investidores pessoas físicas em renda variável, reforçando o crescimento do interesse dos goianos pelo mercado de investimentos. 

Para Loureiro, o próximo passo é simples, mas exige mudança de mentalidade: trocar hábitos antigos por escolhas mais eficientes.

“Hoje, mais importante do que guardar dinheiro é saber investir da melhor forma. Quem aprende isso consegue atravessar momentos difíceis com muito mais tranquilidade”, conclui.

 

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