Argentina volta às ruas contra a violência de gênero

Assassinato de uma adolescente reacende o movimento Ni Una Menos e expõe os desafios da América Latina no combate ao feminicídio

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
04/06/2026 às 12h22 Atualizada em 14/07/2026 às 14h29
Manifestação contra o feminicídio em Buenos Aires

Onze anos depois de ocupar as ruas pela primeira vez, o movimento Ni Una Menos voltou a mostrar que algumas feridas da América Latina seguem abertas.

Milhares de mulheres marcharam em Buenos Aires e em 110 cidades argentinas - com reflexos no Uruguai, Chile e México contra a violência de gênero. O estopim foi o assassinato de Agostina Vega, uma adolescente de 14 anos morta na província de Córdoba, na última semana.

O caso chocou o país. Também reacendeu um debate que parecia ter perdido espaço na agenda pública. A coincidência é simbólica. Em 2015, o assassinato de outra adolescente de 14 anos, Chiara Páez, deu origem ao movimento que se transformaria em uma das maiores mobilizações da América Latina.

Mais de uma década depois, a Argentina volta a se fazer a mesma pergunta: o quanto o país realmente avançou no combate à violência contra as mulheres?

Dados

Entre 2017 e 2025, 2.158 feminicídios foram registrados na Argentina, o equivalente a um a cada 36 horas, segundo o Escritório da Mulher da Suprema Corte de Justiça da Nação, órgão do sistema judiciário argentino.

As imagens das manifestações impressionam. Não apenas pelo tamanho, mas pelo sentimento que carregam. Os protestos foram motivados por um crime brutal. Mas revelam algo maior.

Há uma percepção crescente de que as estruturas de proteção construídas nos últimos anos perderam força.

Organizações feministas também apontam preocupação com a redução de políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero na Argentina. 

O retorno do Ni Una Menos mostra que certos movimentos não desaparecem. Eles permanecem vivos, mesmo quando deixam de ocupar as manchetes. Esperam apenas o momento em que a realidade volta a exigir sua presença. E quando isso acontece, a marcha deixa de ser apenas uma manifestação. Torna-se um alerta. 

 

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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, é editor-chefe do portal Lead Notícia.
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