Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, o Dia Mundial Sem Tabaco é celebrado todos os anos em 31 de maio. A data convida governos, especialistas e a sociedade a refletirem sobre os impactos do tabagismo.
Em 2026, a campanha mundial tem como tema "Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco".
O objetivo é alertar para as estratégias que buscam atrair novos consumidores, principalmente adolescentes e jovens.
Embora o Brasil seja reconhecido internacionalmente pelas políticas de controle do tabaco, os números ainda preocupam. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 477 pessoas morrem diariamente no país em decorrência de doenças relacionadas ao tabagismo.
O impacto também é econômico. Os custos com tratamentos médicos, aposentadorias precoces e perda de produtividade ultrapassam R$ 153 bilhões por ano, segundo o govoverno. Na prática, para cada R$ 1 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o Brasil gasta aproximadamente R$ 5 para lidar com os danos provocados pelo consumo desses produtos.
Nos últimos anos, um novo desafio passou a mobilizar autoridades de saúde. Os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes ou cigarros eletrônicos, ganharam espaço entre os mais jovens. Apesar de terem a comercialização, importação e publicidade proibidas pela Anvisa desde 2009, esses produtos continuam circulando de forma irregular.
Para falar sobre o tema, o portal Lead Notícia conversou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lead: Como o Ministério da Saúde avalia as estratégias utilizadas para atrair jovens consumidores e quais ações estão sendo adotadas para enfrentá-las?
O Ministério da Saúde tem ampliado campanhas de conscientização e fortalecido ações educativas. Precisamos mostrar que não existe consumo seguro de nicotina. Informar e prevenir continua sendo uma das formas mais eficazes de proteger a juventude.
Lead: Quais são hoje os maiores desafios para conter o crescimento do uso dos cigarros eletrônicos no país?
O maior desafio é combater a desinformação. Muitas pessoas ainda acreditam que os cigarros eletrônicos representam uma alternativa menos nociva. As evidências científicas mostram que isso não é verdade. Esses produtos causam dependência e trazem riscos importantes para a saúde. Por isso, trabalhamos para reforçar a fiscalização, ampliar a conscientização e garantir que as informações corretas cheguem às famílias, às escolas e aos jovens.
Lead: Quais são as prioridades do governo para reduzir ainda mais o número de fumantes e evitar que uma nova geração desenvolva dependência da nicotina?
O Brasil construiu uma história de sucesso no combate ao tabagismo. Nosso compromisso é avançar ainda mais. Queremos fortalecer as ações de prevenção, ampliar o acesso aos tratamentos oferecidos pelo SUS e manter uma atuação firme na defesa da saúde pública. Cada pessoa que deixa de fumar reduz o risco de doenças e melhora sua qualidade de vida. Cada jovem que não inicia o consumo representa uma vitória para toda a sociedade.