A verdade sobre o consumo de carne de burro na Argentina

Governo argentino nega consumo e aponta distorção de um caso isolado

Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
07/05/2026 às 06h00 Atualizada em 15/05/2026 às 09h00

 

carne argentina

Nos últimos dias, tenho recebido muitas perguntas sobre uma suposta troca do tradicional bife argentino por carne de burro.

Morando em Buenos Aires, dá para perceber que a repercussão foi muito maior do que a realidade. A história existe, mas está longe de representar uma mudança no hábito alimentar do país.

Confesso que a curiosidade bateu. Cheguei até a procurar carne de burro nos açougues perto de casa e também nos restaurantes, mas, pelo menos aqui em Buenos Aires, ainda não encontrei.

CASO ISOLADO

O governo argentino reagiu ao tema. A Casa Rosada afirmou que não há consumo generalizado de carne de burro no país.

Segundo a versão oficial, tudo se resume a uma experiência pontual, conduzida por um produtor no sul da Argentina.

“Tratou-se de um único açougue que comercializou uma quantidade mínima de um produto totalmente alheio aos hábitos alimentares e tradição gastronômica dos argentinos”, segundo a Casa Rosada.

Ou seja, não se trata de uma tendência nacional, nem de uma mudança cultural. Foi um episódio específico que ganhou proporções maiores do que deveria.

Burros Patagônicos

restaurante Don Pedro servindo carne de burro

Em Trelew, na Patagônia, a degustação e a venda desse tipo de carne ganharam os noticiários do país na última semana.

A experiência, que incluiu um açougue e um restaurante tradicional da cidade, faz parte de um projeto piloto chamado "Burros Patagônicos".

A iniciativa foi criada pelo produtor rural Julio Cittadini, que vinha desenvolvendo a ideia há cerca de dois anos, enquanto aguardava autorização das autoridades sanitárias locais e nacionais.

Após a aprovação, ele levou a proposta a um açougue e a um restaurante tradicional da cidade, onde a novidade rapidamente atraiu público.

O QUE MUDOU NO PRATO

Se existe uma mudança concreta por aqui, ela passa longe do burro. O que se observa é uma substituição mais previsível: frango e carne suína ganharam espaço na mesa dos argentinos.

A lógica é econômica. Com custos mais baixos de produção, essas proteínas se tornaram alternativas mais acessíveis. Enquanto isso, o consumo de carne bovina, símbolo nacional, caiu nos últimos meses.

Os diferentes cortes encareceram, em média, 68,6% em Buenos Aires, Rosário e Córdoba, de acordo com o Ipcva (Instituto de Promoção da Carne Bovina da Argentina).

Já em Trelew, na Patagônia, o quilo da carne de burro é vendido por cerca de 7.500 pesos (cerca de R$ 27), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69), quase três vezes mais.

ENTRE FATO E NARRATIVA

Aqui na Argentina, a realidade é mais complexa: há pressão nos preços, mudanças no consumo e debates econômicos intensos.

Mas não há, ao menos por agora, uma revolução no cardápio nacional.

No fim das contas, entre o exagero e o fato, fica uma lição: nem toda manchete traduz o cotidiano. E, definitivamente, o churrasco argentino ainda não saiu de cena. Uma coisa posso dizer: A carne aqui é uma delícia! Vale a pena experimentar. 

 

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Tereza Há 4 meses Iguaçu Eu Achei uma delicia recomendo experimentar
Leonardo Vieira Há 4 meses Curitiba Eu já comi e não achei nada demais kkkkka parece borracha
Caio Há 4 meses SPEu já comi carne de burro e é uma delícia, super saborosa
Carlos Henrique SouzaHá 4 meses Setor Bueno, Goiânia.Cade o Milei??? Gostei do texto por separar o que é fato do que virou exagero. Tudo carissiiimooo
André Luiz Há 4 meses Barra Funda SPJesus!! A curiosidade foi maior e acabei lendo até o fim. Muito interessante ver a visão de quem realmente mora em Buenos Aires.
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Eduardo Moura
Eduardo Moura
Jornalista com experiência na cobertura de temas ligados ao Poder Judiciário, política e comunicação institucional. Atuou em veículos como TV Globo, TV Justiça, Record e EBC, além de ocupar cargos de coordenação em órgãos como o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, é editor-chefe do portal Lead Notícia.
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