O Brasil registrou em 2025 uma nova queda nas taxas de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a área desmatada na Amazônia foi estimada em 5.796 km², redução de 11,08% em relação a 2024, o menor índice dos últimos onze anos.
No Cerrado, a diminuição foi de 11,49%, com 7.235 km² de vegetação suprimida.
Os números confirmam a tendência de redução observada nos últimos anos e reforçam o compromisso do país de alcançar o desmatamento zero até 2030.
A queda nas taxas tem relação direta com o avanço das tecnologias de monitoramento ambiental.
O Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), do Inpe, utiliza imagens de satélite para identificar e quantificar áreas desmatadas, fornecendo uma base para análises e ações de fiscalização.
O avanço no uso de informações do Brazil Data Cube ampliou a área analisada e aprimorou a precisão das medições, cobrindo 95% das regiões com alertas de desmatamento.
Os dados produzidos pelo Prodes, sistema vinculado ao BiomasBR, subsidiam políticas públicas ambientais e servem de referência para órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na execução de ações de controle e prevenção.
Geotecnologia aplicada ao planejamento
No planejamento urbano, os dados geoespaciais ajudam a identificar áreas de risco e a planejar melhor a expansão das cidades e ações de retirada da população de áreas de risco.
No saneamento, as soluções geoespaciais permitem mapear redes de abastecimento e esgoto, facilitando a gestão de perdas e a priorização de investimentos. Já na infraestrutura, elas apoiam a definição de rotas logísticas e a manutenção preventiva de vias e pontes.
O uso desses dados é considerado uma base para políticas públicas mais integradas, sustentáveis e orientadas por evidências de que as mudanças propostas terão impacto direto na melhoria da qualidade de vida da população.
Para Fabiano Carvalho, especialista em Transformação Digital e CEO da Ikhon, a utilização de equipamentos como sensores, imagens de satélite e modelos preditivos, permite identificar mudanças ambientais em tempo real, antecipar riscos e direcionar ações com base em evidências.
“Quando integrados em plataformas de gestão territorial, esses dados permitem que governos visualizem de forma dinâmica desmatamentos, queimadas ou ocupações irregulares, o que acelera a tomada de decisão e torna a fiscalização mais precisa e eficiente”, afirma o CEO da Ikhon.
Especialistas consideram que um dos principais desafios é a infraestrutura tecnológica. Muitos municípios ainda não dispõem de conectividade adequada, servidores estruturados ou equipes capacitadas para operar sistemas de monitoramento geoespacial.
“Há o desafio da integração de dados, pois conectar informações que vêm de fontes diferentes exige padronização e interoperabilidade. Outro ponto crítico é o custo de atualização dos sistemas, já que as tecnologias evoluem rapidamente e exigem manutenção constante para garantir precisão e confiabilidade”, afirma Fabiano.
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