Por que um produto de cuidado com a pele custa mais do que o outro?

coluna | Pele Luz

Por: Paula Luz Stocco | coluna Pele Luz
30/09/2025 às 06h00 Atualizada em 21/10/2025 às 13h15

@clinicaluzbsb

Paula Luz Stocco - dermatologista
colunista Lead

Você já reparou como alguns produtos de skincare estão sempre à mão, nas prateleiras centrais da farmácia, enquanto outros ficam escondidos atrás do balcão? E já se perguntou por que a diferença de preço entre eles é tão grande? Será que o mais caro é sempre melhor?

A resposta envolve muita coisa além da embalagem bonita. É justamente a partir da minha experiência como dermatologista que quero explicar melhor essas diferenças.

Primeiro, precisamos entender que existem diferentes categorias. Os cosméticos, regulados pela Anvisa, são voltados para limpar, hidratar, perfumar e manter a pele em bom estado. Já os medicamentos precisam comprovar eficácia e segurança antes de serem vendidos. Entre os dois, estão os cosmecêuticos: produtos que podem provocar mudanças reais na pele, sem serem considerados remédios. Eles fazem parte do meu dia a dia de prescrição.

E o que mais pesa no preço? Os ingredientes. Produtos mais caros costumam trazer ativos em maior concentração, mais puros e com tecnologia diferenciada. O ácido hialurônico é um bom exemplo. Em fórmulas premium, aparece em diferentes pesos moleculares, garantindo hidratação em várias camadas da pele. 

Já os cremes mais acessíveis, como o tradicional Nivea da latinha azul, usam emolientes simples, como glicerina e parafina. Funcionam, mas de forma mais básica.

Outro ponto é a tecnologia da formulação. Produtos de linha premium passam por testes clínicos, estudos de eficácia, controle de pH e até sistemas que liberam os ativos de forma prolongada. Isso encarece a produção, mas também garante mais segurança e resultados. Já os produtos populares seguem apenas as exigências mínimas da Anvisa, com fórmulas pensadas para funcionar em todo tipo de pele.

O posicionamento da marca também entra na conta. Empresas como La Roche-Posay, Vichy e Skinceuticals não vendem só um creme: vendem confiança, ciência e tradição junto aos dermatologistas. Já marcas como Nivea ou Johnson trabalham com escala, produção em massa e foco em acessibilidade.

ilustração

Sem falar em embalagem e logística. Séruns sofisticados vêm em frascos de vidro escuro, com conta-gotas e proteção contra oxidação. Já hidratantes simples costumam vir em potes plásticos comuns. Produtos importados ainda carregam impostos e taxas, o que aumenta bastante o preço final.

Tem a questão da exposição nas prateleiras. Os produtos mais baratos estão sempre ao alcance dos olhos porque as marcas pagam caro por esses espaços. Já os dermocosméticos preferem manter uma imagem mais restrita, muitas vezes atrás do balcão, reforçando a ideia de que precisam de recomendação médica.

Agora, vale reforçar: barato não é sinônimo de ruim, assim como caro não significa automaticamente melhor. Um hidratante acessível pode atender muito bem quem tem pele jovem ou sem grandes necessidades. Ao mesmo tempo, um produto caro pode não cumprir tudo que promete se estiver mais ligado ao marketing do que à ciência.

No fim, a escolha certa depende de conhecer sua pele, prestar atenção nos ingredientes e, sempre que possível, buscar orientação médica. Porque, mais do que o preço na prateleira, o que realmente importa é fazer escolhas conscientes.

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Angélica Há 8 meses Rio JAneiro CamposSou preta e minha pela é super sensível. Nao sei mais o que passar. Socorro!!
Eliana Há 10 meses RJDoutora Tem orientações de protetor solar? Sempre fico na dúvida em qual passar nas crianças
Paula Luz Stocco Há 10 meses Colunista LeadCris a pele negra costuma ter facilidade para manchar. Não precisa necessariamente de produtos diferentes. Importante entender se é uma pele senível, seca ou oleosa e usar ativos que previnam ou tratem manchas.
Paula Luz Stocco Há 10 meses Colunista Lead Caio a pele masculina costuma ser mais grossa e oleosa precisando de produtos para fechamento de poros por exemplo. O clássico nívea pode ser usado em peles secas e se este for seu caso pode manter uso se não estiver causando irritação ou piora da oleosidade.
Paula Luz Stocco Há 10 meses Colunista LeadOlá Renata! Questionamento interessante. Os produtos veganos podem funcionar da mesma maneira que os tradicionais - o que realmente importa é a composição da formulação e a tecnologia usada. A industria cosmética desenvolve substitutos vegetais e biotecnológicos para quase tudo. Exemplo: a lanolina de origem animal pode ser substituida por manteigas vegetais.
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Paula Luz Stocco
Paula Luz Stocco
Paula Luz Stocco é médica dermatologista formada pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), com residência no HRAN/SES-DF. Atuou em pesquisas clínicas e participou de congressos nacionais e internacionais. Possui capacitação em cabelos e unhas pela Universidade de Miami (EUA) e pós-graduação em medicina da longevidade. Em 2022, fundou a Clínica Luz, dedicada à saúde, bem-estar e autoestima com visão integrativa.
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