Produtores pressionam por clareza diante de impacto estimado em US$ 12 bi com nova tarifa americana

Em nota, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, critica as medidas do governo.

Por: Naiane Carvalho | coluna E aí, América?
22/07/2025 às 10h20 Atualizada em 22/07/2025 às 11h05

O setor agropecuário vive um momento de tensão com o anúncio, no início deste mês, de que os Estados Unidos aplicarão tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em nota divulgada à imprensa, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, criticou: “Os sinais trocados do governo causam insegurança ao setor agropecuário”. Ele ressaltou a confusão entre a comissão de negociação, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e as declarações de retaliação do presidente Lula, diante da ausência de uma liderança clara nas decisões.

Além da incerteza política, o impacto econômico é significativo. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a nova tarifa pode reduzir em até 75% as exportações de alimentos para os EUA, correspondendo a possíveis perdas de US$ 12,1 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) apenas no agronegócio. Para Meirelles, essa indefinição entre negociação e retaliação impede que produtores e exportadores se planejem adequadamente, ampliando o risco de danos irreversíveis ao setor.

O chamado “Tarifaço de Trump” refere-se justamente a essa imposição de tarifas de 50% sobre produtos do Brasil anunciada no início de julho, com vigência em agosto. A medida, além de ser uma retaliação, representa um choque para as cadeias do agro, especialmente carne, café e suco de laranja, e exige uma resposta diplomática firme e coordenada por parte do governo brasileiro, segundo a Faesp.

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