Tratamento da erisipela deve começar nos primeiros sinais

A erisipela é uma infecção bacteriana da pele e dos vasos linfáticos superficiais, mais frequente nos membros inferiores. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir o risco de complicações locais, como bolhas, abscessos e ...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
11/09/2026 às 15h40
Tratamento da erisipela deve começar nos primeiros sinais
Instituto Micheline Sarquis

Quem já teve erisipela — ou convive com alguém que passou por isso — sabe que a doença pode aparecer rapidamente. Em um ou dois dias, uma área da pele pode ficar intensamente vermelha, quente, inchada e dolorida. Febre, calafrios e mal-estar podem acompanhar o quadro. O problema é que os primeiros sinais ainda são subestimados, e atrasar a avaliação pode permitir que a infecção avance.

A erisipela é uma infecção bacteriana que acomete principalmente a derme superficial e os vasos linfáticos. Os estreptococos beta-hemolíticos, incluindo o Streptococcus pyogenes, estão entre os agentes mais frequentemente associados. Em geral, existe uma porta de entrada na pele: micose entre os dedos, fissura no calcanhar, escoriação, picada, lesão por trauma, ferida crônica ou outra ruptura da barreira cutânea. Edema crônico, insuficiência venosa ou linfática, obesidade, diabetes, alterações da barreira da pele e episódios anteriores aumentam a vulnerabilidade, conforme aponta uma revisão publicada no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (2024).

O tratamento da erisipela envolve avaliação médica e pelo estomaterapeuta, e costuma incluir antibiótico sistêmico e curativos avançados para o tratamento das feridas quando instaladas. Casos com progressão rápida, dor desproporcional, bolhas extensas, necrose, suspeita de abscesso ou falha do tratamento ambulatorial precisam de reavaliação imediata e podem exigir atendimento hospitalar. A erisipela não deve ser tratada apenas como um problema de pele: é necessário controlar a infecção e, ao mesmo tempo, investigar o que favoreceu sua entrada e manutenção.

Segundo a estomaterapeuta Dra. Micheline Sarquis, identificar a origem da infecção é tão importante quanto tratá-la. "A erisipela precisa ser tratada com rapidez. Controlar a infecção cedo e identificar a porta de entrada reduz complicações e novos episódios", explica a especialista.

Nem todo episódio de erisipela produz uma ferida aberta. Entretanto, nas formas mais intensas podem surgir bolhas, áreas hemorrágicas, abscessos e necrose superficial. Quando uma bolha rompe ou há perda de tecido, a pele deixa de funcionar como barreira e passa a existir uma lesão que necessita de cuidado local estruturado. Nessa fase, além do antibiótico indicado, o tratamento da ferida deve considerar profundidade, tipo de tecido, quantidade de exsudato, presença de dor, condição da pele ao redor, edema, sinais de infecção persistente e perfusão do membro.

"Quando a ferida já está instalada, não basta colocar um curativo. É preciso entender por que aquela pele rompeu, avaliar o tecido, o edema, a circulação e escolher uma cobertura avançada que mantenha o ambiente adequado para cicatrização sem causar trauma à pele", explica a Dra. Micheline Sarquis.

Na prática, o cuidado da lesão pode incluir limpeza suave e tecnicamente adequada, proteção da pele perilesional e escolha de cobertura conforme a necessidade de controle do exsudato, tratamento da infecção, manejo da necrose e controle do edema. Se houver tecido desvitalizado, a necessidade e o método de desbridamento devem ser definidos por profissional especializado, levando em conta o estado clínico e a perfusão local. Curativos e agentes tópicos não substituem o antibiótico sistêmico quando há infecção ativa.

Outra etapa importante é o controle do edema. O inchaço persistente dificulta a recuperação da pele, favorece alterações da barreira cutânea e está fortemente relacionado à recorrência da doença. Um ensaio clínico randomizado publicado no New England Journal of Medicine (2020) demonstrou menor recorrência de celulite em pacientes com edema crônico submetidos à terapia compressiva associada à educação preventiva — benefício confirmado em seguimento publicado no eClinicalMedicine (2026). A compressão deve ser individualizada, especialmente quando há feridas ou suspeita de doença arterial.

A tendência à recorrência é uma das maiores preocupações clínicas. Uma revisão publicada no PubMed Central (PMC) (2025) aponta que as taxas de recorrência variam de cerca de 11% em pacientes ambulatoriais no primeiro ano a 46% em pacientes hospitalizados dentro de três anos. Cada novo episódio pode provocar mais dano aos vasos linfáticos, alimentando um ciclo de edema, fragilidade da pele e novas infecções.

Uma análise retrospectiva publicada no PMC (2025), com 239 pacientes hospitalizados, registrou média de idade de 64 anos e constatou que 85,4% dos casos acometeram os membros inferiores — dados que reforçam a importância de dar atenção especial a pessoas idosas e a indivíduos com edema crônico, alterações vasculares, diabetes ou obesidade.

"Tratar o episódio agudo é necessário, mas não suficiente. Precisamos fechar as portas de entrada, recuperar a pele, controlar o edema e acompanhar as condições que favorecem novas infecções. É isso que quebra o ciclo de recorrência", afirma a estomaterapeuta.

A prevenção começa no dia a dia: tratar micoses entre os dedos, hidratar a pele íntegra, cuidar adequadamente de pequenos traumas, observar os pés, usar calçados que não causem lesões e controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Em quem já apresenta edema, insuficiência venosa, linfedema ou feridas recorrentes, o acompanhamento profissional deve ser contínuo.

Familiares e cuidadores também têm papel importante. Vermelhidão que se expande rapidamente, dor intensa, calor local, febre, surgimento de bolhas, escurecimento da pele ou piora do estado geral são sinais para procurar atendimento sem demora — especialmente em pessoas com diabetes, imunossupressão, doença vascular ou histórico de recorrência.

"O objetivo não é apenas resolver a infecção daquele momento. O cuidado completo busca preservar a pele, cicatrizar eventuais feridas, recuperar a função do membro, reduzir o edema e diminuir o risco da erisipela voltar", conclui a Dra. Micheline Sarquis.

Mais informações podem ser encontradas em: https://institutomichelinesarquis.com/

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