Câncer: avanço acelerado da incidência da doença

Oncologista destaca que hábitos saudáveis, acesso à informação e exames preventivos são aliados na redução do impacto da enfermidade

Por: Redação
05/02/2026 às 15h16 Atualizada em 05/02/2026 às 15h32
Dia Mundial do Câncer

O Dia Mundial do Câncer, na quarta-feira (4), chama atenção para um cenário que mobiliza autoridades de saúde em todo o mundo.

O avanço acelerado da incidência da doença e seu impacto crescente na mortalidade mostram que o enfrentamento do câncer vai além dos avanços da medicina. Ele exige, cada vez mais, a participação ativa da população, por meio da informação, da prevenção e do autocuidado.

Projeções da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o número de novos casos deve crescer de forma significativa até 2050, especialmente em países de média e baixa renda.

Na América Latina e no Brasil, a expectativa é de aumento expressivo, em 2026, tanto nos diagnósticos quanto nas mortes relacionadas à doença, o que reforça a urgência de estratégias preventivas e ações coletivas.

A população no centro da luta contra o câncer

Márcio Almeida - oncologista

Diante desse cenário, cada pessoa tem um papel decisivo na redução do impacto da doença.

A adoção de hábitos saudáveis, o acesso à informação de qualidade e a atenção aos sinais do próprio corpo são atitudes que contribuem diretamente para a diminuição dos riscos e para o diagnóstico precoce.

Para o oncologista Márcio Almeida, o enfrentamento do câncer começa muito antes do consultório.

“A ciência já demonstrou que uma parcela significativa dos casos pode ser evitada. Quando a população entende os fatores de risco e assume o autocuidado como prioridade, conseguimos reduzir diagnósticos tardios e salvar vidas”, afirma.

Escolhas cotidianas, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e moderar o consumo de álcool, fazem parte desse processo.

“Medidas simples, como proteger-se da exposição excessiva ao sol e manter a vacinação em dia, também desempenham papel essencial na prevenção”, destaca o médico.

Informação de qualidade fortalece decisões e reduz riscos

A informação confiável é uma das principais aliadas no combate ao câncer. Conhecer fatores de risco, compreender a importância dos exames preventivos e saber quando buscar orientação médica ajudam a população a tomar decisões mais conscientes sobre a própria saúde.

Além disso, a disseminação de informações corretas contribui para reduzir o medo e o estigma ainda associados à doença.

“Quanto mais informada está a população, maiores são as chances de diagnóstico precoce, tratamentos menos agressivos e melhores desfechos”, destaca o oncologista.

Autocuidado e diagnóstico precoce salvam vidas

O autocuidado vai além de hábitos pontuais e envolve atenção contínua ao próprio corpo, escuta ativa dos sinais de alerta e compromisso com o acompanhamento médico regular, o que permite identificar mudanças precoces no organismo e buscar orientação especializada antes que a doença evolua, aumentando de forma significativa as chances de tratamento eficaz e cura.

Os exames de rastreamento, indicados de acordo com idade, sexo, histórico familiar e fatores de risco individuais, desempenham papel central nesse processo.

Entre as principais estratégias de rastreamento estão a mamografia, fundamental para a detecção precoce do câncer de mama; o exame citopatológico (Papanicolau), essencial na prevenção e no diagnóstico inicial do câncer do colo do útero; a colonoscopia, capaz de identificar lesões precursoras do câncer colorretal; e o rastreamento do câncer de próstata, indicado conforme avaliação médica individualizada.

“Detectar o câncer precocemente amplia as possibilidades terapêuticas e reduz de forma significativa o impacto do tratamento na qualidade de vida do paciente. Em muitos casos, o diagnóstico inicial permite terapias menos invasivas e melhores desfechos clínicos”, finaliza Márcio Almeida.

Recomendações específicas para prevenção do câncer

alerta

- Carne vermelha e processadas

Segundo a OMS, o consumo de carnes processadas como: salsicha, linguiça, presunto e bacon, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de intestino.

O consumo elevado de carne vermelha (suína, bovina e carneiro), por si só já é considerado um fator de provável ação cancerígena. Vale lembrar que, esse alimento é uma fonte importante de nutrientes, portanto, o consumo dentro das recomendações é um dado importante a ser ressaltado.

Recomenda-se a ingestão de no máximo 100 gramas por dia, até três refeições na semana, e no restante dos dias, preferir carnes brancas (frango e peixe), ovos e outras combinações de alimentos ricos em proteínas vegetais como feijões, lentilha, ervilha e grão de bico.

- Açúcares e bebidas açucaradas

Todas as células do nosso corpo, incluindo células cancerígenas, precisam de açúcar (glicose) da nossa corrente sanguínea como fonte de energia. Mas, é preciso que se tenha uma atenção quanto ao consumo excessivo do mesmo, pois pode resultar em ingestão de calorias além do necessário, o que leva ao aumento do peso e gordura corporal.

Segundo o American Institute for Cancer Research, é o excesso de gordura corporal que aumenta o risco de desenvolvimento do câncer, não apenas o açúcar como fator isolado. Desta forma, recomenda-se a ingestão de uma dieta rica em alimentos nutritivos como grãos integrais, vegetais, frutas e feijões e a substituição de bebidas açucaradas por aquelas de baixa ou nenhuma caloria.

- Sal (cloreto de sódio)

O sal está presente naturalmente nos alimentos e é essencial na dieta, porém em pequenas quantidades, pois o excesso está relacionado a maior incidência de câncer.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que sejam consumidos no máximo cinco gramas de sal por dia. Sendo que 2g estejam presentes naturalmente nos alimentos e apenas 3g (duas colheres de chá rasas) sejam acrescentados no preparo das refeições em um dia.

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