Desinformação e estigmas sobre a hanseníase atrasam cuidados

Condição tem cura, mas ainda é pouco compreendida; médica explica sinais de alerta, formas de transmissão e como funciona o tratamento.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
28/01/2026 às 14h23
Desinformação e estigmas sobre a hanseníase atrasam cuidados
Banco de Imagens Envato

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição no mundo entre os países que mais registram novos casos desta condição, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar de ter tratamento eficaz e cura, a hanseníase ainda é cercada por estigmas e desinformação, o que dificulta o diagnóstico precoce e contribui para a permanência da doença como um problema de saúde pública.

Transmitida de forma silenciosa e com sintomas que podem passar despercebidos no início, a hanseníase exige atenção da população para sinais específicos no corpo. A informação correta é uma das principais ferramentas para reduzir o preconceito, estimular a busca por atendimento médico e evitar complicações que podem surgir quando o diagnóstico é tardio. Para cumprir este objetivo, o Brasil realiza todos os anos a campanha Janeiro Roxo, para conscientização sobre a doença.

"Alguns mitos comuns são achar que a doença é muito contagiosa e que pega fácil ou instantaneamente, pensar que não tem cura, acreditar que quem tem hanseníase deve ser isolado e confundir com falta de higiene. Tudo isso é falso e reforça o preconceito", afirma Cláudia Cisneros, médica da área de dermatologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS.

Como a hanseníase se manifesta

Segundo Cisneros, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o controle da doença. A profissional explica que "a transmissão da doença ocorre por meio das vias aéreas, a partir do contato próximo e prolongado com secreções nasais, gotículas da fala, tosse ou espirro de pacientes sem tratamento".

A médica ressalta que, além de eliminar a bactéria, o início rápido da medicação impede a progressão da doença e reduz drasticamente o risco de complicações. "O diagnóstico precoce evita sequelas, deformidades e danos nos nervos, além de interromper a transmissão". Entre os principais sinais de alerta para hanseníase, Cisneros destaca:

  1. Manchas na pele que não coçam e não doem, e são geralmente acompanhadas de perda de sensibilidade ao toque, ao calor e frio, à dor ou a pequenos ferimentos;
  2. Formigamento ou dormência persistente, especialmente em mãos, pés ou outras regiões do corpo;
  3. Diminuição da força muscular, principalmente nas mãos ou nos pés, o que pode impactar atividades do dia a dia;
  4. Feridas que demoram a cicatrizar, muitas vezes associadas à falta de sensibilidade na pele.

Ainda cercada por muitos estigmas, a médica reforça que a informação é uma aliada poderosa para o combate à hanseníase, e isso inclui explicar o que é mito ou verdade sobre a doença.

Hanseníase é uma doença altamente contagiosa e de fácil transmissão

Mito: a transmissão ocorre apenas por contato próximo e prolongado com uma pessoa sem tratamento. O convívio casual não transmite a doença.

O tratamento impede a transmissão da doença

Verdade: após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença e pode manter sua rotina normalmente, sem necessidade de isolamento social.

É possível pegar hanseníase por abraço, aperto de mão ou beijo

Mito: o contato físico comum, como abraçar, cumprimentar, compartilhar talheres ou roupas, não transmite a hanseníase, mas sim o contato prolongado a secreções e gotículas de saliva de pacientes sem tratamento.

Hanseníase tem cura

Verdade: a hanseníase tem cura e o tratamento é feito com antibióticos.

A doença está relacionada à falta de higiene

Mito: a hanseníase não está associada à sujeira ou falta de cuidados pessoais, trata-se de uma infecção bacteriana.

Como prevenir a hanseníase

A prevenção da hanseníase está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce, ao início rápido do tratamento e ao acompanhamento das pessoas que convivem com o paciente. Como a transmissão ocorre principalmente em contatos próximos e prolongados com indivíduos sem tratamento, identificar a doença nos estágios iniciais é a principal estratégia para interromper a cadeia de contágio e evitar sequelas físicas.

Cisneros frisa que "a vigilância de contatos, a atenção aos primeiros sinais na pele e a busca por atendimento médico são medidas essenciais para o controle da doença". Além disso, hábitos saudáveis e informação de qualidade ajudam a reduzir o risco de infecção e a combater o preconceito ainda associado à hanseníase. Entre as principais medidas de prevenção estão:

  1. Investigação de contatos próximos: pessoas que convivem na mesma casa ou têm contato frequente com alguém diagnosticado devem procurar avaliação médica, mesmo que não apresentem sintomas.
  2. Diagnóstico precoce: identificar a doença nos estágios iniciais é fundamental para interromper a transmissão, evitar danos nos nervos e prevenir deformidades permanentes.
  3. Busca imediata por atendimento médico: ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento ou dormência persistente, é essencial procurar um profissional de saúde o quanto antes.
  4. Manutenção da higiene e fortalecimento da imunidade: hábitos como boa alimentação, cuidados básicos de higiene e rotina saudável contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico.
  5. Conscientização e combate ao preconceito: informar-se sobre a hanseníase, compreender que ela tem cura e que o tratamento interrompe a transmissão ajuda a reduzir o estigma e incentiva mais pessoas a buscar diagnóstico e tratamento.
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