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Os sinais do novo alinhamento argentino
Direto de Buenos Aires, o colunista Eduardo Moura analisa o novo posicionamento da Argentina com os EUA
27/01/2026 06h00 Atualizada há 8 meses
Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
Trump com Javier Milei, na assinatura da carta do Conselho da Paz

A Argentina recebeu o convite oficial dos Estados Unidos para participar da Cúpula de Altos Comandos Militares.  O grupo compoe representantes dos 34 países do Hemisfério Ocidental.

O governo argentino também passará a integrar o Conselho da Paz em Gaza, criado por Donald Trump para discutir o cenário pós-guerra e a reconstrução do território.

À primeira vista, são agendas distintas. Na prática, fazem parte do mesmo movimento político.

Dois fóruns, um mesmo peso político

A cúpula militar reúne os principais chefes das Forças Armadas do continente para tratar de segurança regional, crime transnacional e cooperação estratégica.

Já o Conselho da Paz em Gaza é um fórum diplomático de alto perfil, pensado para dar respaldo internacional à proposta americana para o Oriente Médio. Em ambos os casos, o convite à Argentina carrega peso simbólico e político.

Alto comando militar da Argentina

O bastidor do alinhamento

Nos bastidores, a leitura é clara: o governo Javier Milei decidiu abandonar qualquer ambiguidade na política externa e assumir um alinhamento explícito com Washington.

Não se trata apenas de aproximação institucional, mas de sinalização política.

A Argentina quer ser vista como parceira confiável dos Estados Unidos, na defesa, na diplomacia e nos grandes temas da agenda global.

Ao aceitar sentar à mesa do Pentágono, Buenos Aires reforça sua disposição de integrar a arquitetura de segurança hemisférica liderada pelos EUA.

Ao participar do Conselho da Paz em Gaza, amplia esse alinhamento para além da região, entrando em um debate sensível, de alcance global, sob liderança direta de Trump.

Esse duplo movimento também tem leitura doméstica. Milei aposta que o ganho externo, prestígio, acesso, apoio político e institucional, supera os custos internos de um alinhamento tão explícito. É uma política externa menos cautelosa, mais ideológica e assumidamente pragmática.

No fundo, Pentágono e Gaza são peças do mesmo tabuleiro.

A Argentina de Milei quer deixar claro onde está, com quem fala e qual lugar pretende ocupar.

Se essa aposta trará ganhos duradouros ou novas dependências, ainda é cedo para dizer. Mas o recado, esse já foi entregue.

 

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