Síndrome do olho seco é doença crônica multifatorial

Fatores ambientais, hormonais e de envelhecimento afetam a produção, composição e estabilidade das lágrimas. O Dr. Guy Romaguera Canto, oftalmologi...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
19/01/2026 às 14h08
Síndrome do olho seco é doença crônica multifatorial
Imagem de Freepik

A Síndrome do olho seco, também chamada de ceratoconjuntivite seca, é uma condição ocular multifatorial caracterizada pela instabilidade do filme lacrimal — camada de lágrimas que cobre e protege a superfície dos olhos —, pelo aumento da concentração de sais nas lágrimas e pela inflamação da superfície ocular.

Alterações no funcionamento das glândulas lacrimais, responsáveis por produzirem os componentes das lágrimas, e na composição do filme lacrimal, contribuem para a perda de estabilidade. A doenção pode se manifestar por produção insuficiente de lágrimas, condição conhecida como deficiência aquosa, ou por evaporação acelerada, chamada evaporativa.

O Dr. Guy Romaguera Canto, médico oftalmologista, explica que a diferenciação dos tipos de síndrome do olho seco é feita por meio de anamnese detalhada associada a exames específicos e, na prática, a maioria dos pacientes apresenta um quadro misto.

"Avaliamos a qualidade e quantidade da lágrima, o funcionamento das glândulas de Meibômio, o tempo de ruptura do filme lacrimal, colorações da superfície ocular e, quando necessário, exames de imagem da superfície ocular. Uma avaliação personalizada é essencial para direcionar corretamente o tratamento", afirma o médico.

Sintomas e fatores de risco

De acordo com o oftalmologista, a síndrome do olho seco se manifesta por sintomas como ardor, sensação de areia ou corpo estranho, queimação, vermelhidão, lacrimejamento reflexo, visão embaçada flutuante, sensibilidade à luz e, em casos mais avançados, dor ocular.

"O paciente deve procurar atendimento especializado sempre que esses sintomas forem frequentes, persistentes ou impactarem atividades do dia a dia, como leitura, uso de telas, direção ou conforto visual. O uso contínuo de colírios lubrificantes sem melhora também é um sinal de alerta", reforça o especialista.

Segundo o Dr. Guy Romaguera Canto, os fatores de risco mais comuns associados ao desenvolvimento ou agravamento da síndrome do olho seco no Brasil são clima seco, exposição solar excessiva, poluição, uso intenso de ar-condicionado e uso prolongado de telas.

Um estudo da Aston University, no Reino Unido, noticiado pela CNN, identificou que a quantidade de tempo diário passada em frente a telas está entre os principais fatores associados à progressão da síndrome do olho seco em jovens adultos. A média diária de exposição era de cerca de oito horas, e muitos participantes tiveram avanço significativo da condição ao longo do ano de acompanhamento.

"Durante o uso de telas, ocorre uma redução significativa da frequência do piscar, o que compromete a renovação do filme lacrimal. Isso leva à evaporação mais rápida da lágrima, aumentando o ressecamento e a inflamação da superfície ocular. Além disso, o esforço visual prolongado agrava sintomas como ardor, cansaço ocular e visão oscilante ao longo do dia", explica o oftalmologista.

Entre as condições de saúde, o Dr. Guy Romaguera Canto destaca as alterações hormonais, doenças autoimunes, envelhecimento, uso de medicações sistêmicas e procedimentos oftalmológicos prévios, como cirurgias refrativas, como os principais fatores de risco para a doença.

Tratamento e medidas preventivas

O médico especialista enfatiza que o tratamento para a síndrome do olho seco é progressivo e individualizado. Segundo ele, pode incluir desde colírios lubrificantes adequados ao tipo da doenção, até colírios anti-inflamatórios, estimuladores da produção lacrimal, ajustes ambientais e suplementação nutricional.

"Em casos mais avançados, são adotados procedimentos realizados em consultório, como terapias para melhora das glândulas de Meibômio, tecnologias de luz e calor controlados, além de protocolos personalizados para restaurar a saúde da superfície ocular", detalha o profissional.

Segundo o Dr. Guy Romaguera Canto, algumas medidas preventivas simples podem ser adotadas no dia a dia para evitar a piora dos sintomas, para quem já está em grupos de risco, como a aplicação da regra 20-20-20. A técnica consiste em olhar para algo a 20 pés — cerca de 6 metros — de distância, a cada 20 minutos diante da tela, por 20 segundos.

O médico orienta fazer pausas regulares e piscar conscientemente durante o uso de telas, manter boa hidratação, evitar ambientes muito secos ou com vento direto nos olhos, usar óculos de sol com proteção adequada, não utilizar colírios sem orientação e ter acompanhamento oftalmológico regular.

"O diagnóstico precoce e o tratamento individualizado permitem melhorar significativamente a qualidade de vida e o conforto visual do paciente. É importante compreender que a síndrome do olho seco não é apenas desconforto, mas uma doença crônica da superfície ocular, que pode evoluir se não for tratada corretamente", conclui o Dr. Guy Romaguera Canto.

Para mais informações, basta acessar: guycanto.com.br/

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