O câncer do colo do útero permanece entre os três tipos de tumores mais comuns entre as mulheres brasileiras, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O dado que chama atenção é que a maioria dos casos poderia ser evitada com medidas simples de prevenção.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 95% dos diagnósticos estão ligados à infecção persistente pelo HPV, um vírus sexualmente transmissível e prevenível por meio de vacina oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mesmo com acesso à imunização e exames de rastreamento, milhares de mulheres ainda desenvolvem a doença todos os anos, reflexo da falta de informação, baixa adesão aos exames preventivos e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
“A campanha Janeiro Verde cumpre um papel fundamental ao ampliar a conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero. Vacinação e diagnóstico precoce salvam vidas e precisam ser prioridade”, afirma a oncologista Gabrielle Scatollin.
O câncer do colo do útero é causado, na maioria dos casos, pelo Papilomavírus Humano (HPV), transmitido principalmente por via sexual.
Embora o organismo elimine o vírus espontaneamente na maior parte das infecções, alguns casos evoluem de forma silenciosa.
Quando a infecção persiste, podem surgir alterações nas células do colo do útero. Sem tratamento, essas lesões podem evoluir para câncer ao longo dos anos.
O desenvolvimento do câncer costuma ser lento, levando entre 10 e 20 anos, o que reforça a importância do acompanhamento regular.
Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero pode não apresentar sinais evidentes. Quando os sintomas surgem, eles costumam indicar fases mais avançadas da doença.
Ao perceber qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico.
O exame de Papanicolau segue como a principal ferramenta de rastreamento e é oferecido gratuitamente pelo SUS para mulheres a partir dos 25 anos que já iniciaram a vida sexual.
O teste permite identificar alterações celulares antes que se tornem câncer.
Além do exame citológico, testes moleculares de detecção do HPV vêm ganhando espaço e ampliando a precisão do diagnóstico.
Tecnologias como a colposcopia de alta definição também contribuem para uma avaliação mais detalhada.
“O teste molecular identifica diretamente o material genético do vírus, permitindo detectar lesões em estágios ainda mais iniciais do que o Papanicolau tradicional”, explica a especialista.
A vacinação contra o HPV é considerada pela OMS uma das estratégias de prevenção de câncer mais eficazes da atualidade.
O imunizante protege contra os subtipos do vírus com maior risco de causar câncer, especialmente os tipos 16 e 18.
“O esquema vacinal varia entre duas e três doses, conforme a idade e a condição clínica. A vacina é mais eficaz antes do início da vida sexual, mas também pode trazer benefícios mesmo após o contato com o vírus. O uso de preservativos continua sendo essencial para reduzir a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis”, destaca a médica.
Nos últimos anos, o tratamento do câncer do colo do útero avançou de forma significativa. Novas abordagens, como a imunoterapia, terapias-alvo, cirurgias mais precisas e radioterapia de alta tecnologia, trouxeram novas perspectivas para pacientes com doença avançada.
Sociedades internacionais como a ASCO e a ESMO já reconhecem a combinação de imunoterapia e quimioterapia como novo padrão de tratamento em muitos casos.
Estudos publicados no New England Journal of Medicine mostram que o uso do pembrolizumabe associado à quimioterapia aumenta a sobrevida e reduz a progressão da doença.
Além disso, técnicas modernas de radioterapia guiada por imagem e braquiterapia permitem maior precisão no tratamento, com menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida.
Apesar dos avanços, a prevenção segue como a principal aliada.
“Vacinar, realizar exames periódicos e identificar precocemente as lesões evita a maioria dos casos e reduz a necessidade de tratamentos complexos. A ciência evoluiu, mas nada substitui a prevenção”, conclui Gabrielle Scatollin.
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