O 8 de janeiro de 2023 deixou marcas que não cabem apenas nos livros de história.
Quem vive fora do Brasil, como eu, percebe que aquele dia segue sendo referência quando o assunto é democracia, radicalização e limites institucionais.
Não foi só um ataque aos prédios em Brasília; foi um abalo na imagem do país e na confiança de que rupturas desse tipo ficariam no passado.
No plano interno, a resposta foi clara. O Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 réus pelos atos golpistas.
As sentenças avançaram, os processos ganharam corpo e o Judiciário assumiu o protagonismo que o momento exigia.
O recado foi direto: não se tratava de protesto, mas de tentativa de golpe.
Visto daqui da Argentina, porém, o capítulo ganha outra camada. Cerca de 60 condenados estão foragidos no país, muitos após romper tornozeleiras eletrônicas.
Buenos Aires virou endereço recorrente em despachos judiciais brasileiros, pedidos de extradição e reportagens que misturam política, diplomacia e direito internacional.
O governo argentino, sob Javier Milei, adota um tom calculado. Não declarou que acolherá ou protegerá os foragidos de forma ampla, mas também não se comprometeu prontamente com todas as extradições.
A linha é de cautela institucional, tentando equilibrar a cooperação com o Brasil e o respeito às obrigações legais previstas nos tratados bilaterais de extradição.
O 8 de janeiro, portanto, ainda está em curso. Ele se estende nos tribunais, nas fronteiras e no silêncio estratégico de quem aposta no tempo como aliado.
A democracia, vista de fora, mostra que também se sustenta na persistência e na decisão de não tratar ataques institucionais como páginas viradas antes da hora.
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